Os
prédios verdes, ou green buildings,
como são
conhecidos mundialmente, são a nova tendência
da construção civil. Com o objetivo
de reduzir os impactos ambientais durante a obra
e depois dela, essas construções ainda
buscam melhorar a qualidade de vida de quem nelas
reside ou trabalha. Atualmente, os Estados Unidos,
Inglaterra e Índia abrigam os mais de 700
prédios verdes reconhecidos pela Leed (Leadership
in Energy and Environmental Design), certificação
da US Green Council, organização
dedicada à sustentabilidade
no design e construção de prédios.
Estima-se que mais de dois mil novos green buildings estejam
em andamento somente nos EUA. O Brasil, ainda atrasado
se comparado a esses países, começa
a dar seus primeiros passos em busca dessa nova tendência.
Segundo a consultora em gestão sustentável
Angela Andreopoulos, da Atitude - Gerando Resultado
Sustentável, especializada em desenvolver
projetos de sustentabilidade para empresas, essas
construções ecologicamente corretas
diminuem o impacto ambiental de forma bastante abrangente. “Podemos
dizer que essa redução se dá a
partir do design que visa o maior aproveitamento
dos recursos naturais, menor emprego de materiais
tóxicos ou poluentes, e devido ao cuidado
com a biodiversidade e estudos de impactos futuros
para a região, por meio de projeções
de desenvolvimento e do entorno”, avalia.
Apesar
de ser uma tendência, a construção
de um prédio de maneira sustentável
pode acarretar no encarecimento da obra. No entanto,
em longo prazo, esses investimentos convertem-se
em economia e até mesmo em aumento de produção
e qualidade de vida dos funcionários que trabalham
nesses locais. De acordo com Angela, “é comum
ao empreendedor equacionar apenas os custos imediatos
dos investimentos de mão de obra e materiais
das obras tradicionais X obras verdes. Mas, apesar
de, possivelmente, o valor de investimento ser mais
alto, projetando os custos de economia de água,
luz e aumento de produtividade, por exemplo, para
o futuro, estes valores serão, com certeza,
mitigados”, afirma.
O
futuro ao qual a consultora se refere não
envolve apenas os resultados dessa construção
para a natureza, mas também para as pessoas
que vivem e trabalham nesses ambientes. A especialista
afirma que a equação
mais difícil de se contabilizar talvez seja
a do acréscimo de qualidade de vida e bem-estar
gerado por um ambiente sustentável.
Acompanhando
esta tendência, a Atitude, que já conta
com a experiência de mais de seis anos auxiliando
empresas em projetos de sustentabilidade, parte também
para a consultoria em planejamento das construções
verdes. “Nosso trabalho consiste em, por meio
de diálogos e alinhamento conceitual das questões
de sustentabilidade nos aspectos sociais, humanos,
ambientais e financeiros, fazer um convite a todos
os integrantes do projeto, em suas várias
etapas, a repensarem e desenvolverem novas formas
de planejamento e execução a partir
de um pensamento sistêmico”, explica.
Todo
esse planejamento resulta em construções
com aproveitamento dos recursos naturais de iluminação
e ventilação, utilização
de recursos renováveis como energia solar
e captação de águas pluviais,
ou mesmo reuso de águas cinzas. Os prédios
podem até incorporar inovações
tecnológicas já disponíveis
no mercado, que vão desde energia gerada por
células combustíveis de hidrogênio,
passando pela purificação de águas
de fontes ou lagos com ozônio e até o
uso de adesivos e selantes não nocivos à saúde
ou ao meio ambiente, entre outros.
Desde
a idealização
da obra até o momento em que o prédio
passa a ser freqüentado por moradores ou funcionários, é possível
perceber o resultado do planejamento sustentável. “No
caso de um prédio comercial, há recursos
como a construção de espaços
para guardar bicicletas (que contribuem para evitar
o uso de carros e disseminação de CO2)
e vestiários com chuveiros, assim como áreas
verdes em espaços comuns que valorizam a convivência
entre os usuários em espaços abertos
e arborizados”, finaliza Angela. |