Se a indústria automobilística cresce acima da média do mercado no Brasil, a naval apresenta um potencial maior ainda. Dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar) contabilizam 151 estaleiros em atividade no País. A produção de barcos em 2006 foi de 3,5 mil e para 2008 a expectativa de crescimento da produção é de 10%. O total da frota nacional é de 63 mil barcos entre os de esporte e recreio acima de 14 pés em fibra de vidro. Estima-se que cerca de 60% das embarcações do País estejam na Região Sudeste, com maiores concentrações de barcos registradas no litoral paulista (Santos, São Sebastião, Ilhabela) e em Angra dos Reis e Paraty, no sul do Estado do Rio de Janeiro.
O mercado cresce como conseqüência do aumento do poder aquisitivo da população. O incremento do setor é diretamente proporcional ao desenvolvimento das classes A e B. A costa brasileira é mais do que um convite ao desenvolvimento do mercado náutico. Mesmo sendo ainda uma fração de seu potencial, em vista do poder aquisitivo restrito da população brasileira o mercado tem andado em ritmo extremamente acelerado e os fabricantes vêm oferecendo excelentes produtos em todas as modalidades de lanchas, veleiros e botes de apoio. Atualmente, não há necessidade de recorrer ao mercado internacional para ter uma embarcação de lazer de primeira qualidade. Os estaleiros de barcos de passeio no Brasil se desenvolveram e são verdadeiras indústrias de primeiro mundo, capazes de exportar barcos para todo o mundo.
Na construção de embarcações há uma grande demanda de adesivos de alta qualidade e de materiais elásticos de vedação, já que o barco sofre severos esforços de torção em sua navegação por conta de águas revoltas. O adesivo é utilizado no acabamento de todos os tipos de embarcações, tanto em grandes superfícies de madeira, fibra de vidro e alumínio como nas de plásticos rígidos, pedras e concreto. Além disso, lonas, tecidos plásticos, bancos, capotas, bóias, infláveis, botes, peças de fibra de vidro e metais também podem ser consertados com adesivos. Tubulações e conexões de grandes navios destinados a transporte de produtos químicos ou plataformas de petróleo também levam adesivos.
Como principais aplicações, destacam-se a vedação e o acabamento interno; selagem de parafusos, aumentando a vedação contra a água e mantendo a decoração; montagem de estruturas com vidro; vedação de escotilhas; vedação de lâmpadas e sistemas de iluminação; selagem de motores e equipamentos diversos; e vedação de conexões em tubulações. Nos barcos construídos em fibra de vidro, que são laminados com resinas epóxis, as colagens estruturais do casco podem ser feitas com colas de epóxi, metacrilatos ou poliuretanos. Nos iates mais sofisticados, os decks são normalmente de madeira e colados com polímeros MS, para não amarelar com os raios solares. As impermeabilizações na colagem do casco com o convés são feitas com poliuretanos e as outras impermeabilizações de escotilhas podem ser feitas com silicone.
A durabilidade do adesivo em situações adversas é fundamental para o fabricante de um barco. Além das colagens estruturais, que são itens de segurança, os adesivos e materiais de vedação têm que resistir aos movimentos, aos efeitos da maresia, à agressão decorrente da exposição permanente aos raios solares, aos choques térmicos e ao contato constante com a água.
Em barcos de qualidade, somente podem ser utilizados adesivos altamente técnicos e de qualidade comprovada, já que nenhum estaleiro estará disposto a colocar em risco a satisfação de seu cliente por um diferencial pouco representativo nos custos. Por se tratar de um segmento de luxo, a exigência pelo não amarelecimento do acabamento da embarcação e pela estética são muito grandes também.
Modernização
A indústria de adesivos náuticos vem caminhando para a substituição das fixações mecânicas antigas para os métodos modernos de colagem. “Cada vez mais estamos vendo que, por questões ambientais, por questões de processabilidade, para não precisar lixar, para ter segurança, dadas as torções e as forças que são aplicadas num barco, a indústria tem adotado a utilização dos adesivos em detrimento dos métodos antigos”, aponta Marivaldo Almeida, gerente de adesivos para a América do Sul da Huntsman. “O conceito está mudando”, assegura. Paulo Pellegrini, gerente de vendas das áreas de Indústria e Náutica da Brascola, acredita que a entrada de empresas com novos produtos e a melhoria dos processos incentivou o profissionalismo do mercado.
A aplicação de selantes especiais vem tendo grande destaque com o desenvolvimento de selantes com resistência a produtos químicos agressivos, resistência a solventes e óleos, selantes bicomponentes de cura rápida e silicone hot melt. Os adesivos mais utilizados são poliuretanos, epóxis, silicones, cianoacrilatos, adesivos PVAc, adesivo instantâneo, adesivos anaeróbicos e adesivo de contato. Os destaques são os adesivos que apresentam alta resistência à umidade e a intempéries e também os que podem ser utilizados em partes das embarcações que ficam submersas.
Luciana Ferreira Fonseca de Carvalho, gerente de vendas de adesivos da BASF, conta que, no campo da comunicação visual, os laminados de PVC com adesivos à base de solventes ainda são muito usados na indústria marítima. Isso se deve ao fato de esses adesivos apresentarem um desempenho superior com relação à exposição à água salina e às intempéries. “No entanto, essa realidade está mudando: com as novas gerações de adesivos acrílicos à base d’água, já é possível obter desempenhos compatíveis e até superiores, no caso de algumas demandas específicas”, explica. Confira a seguir o que o mercado disponibiliza para a indústria naval.
Almata Química
Um dos principais produtos fornecidos pela Almata Química para a indústria marítima é o adesivo Almasuper, adesivo instantâneo à base de cianoacrilato líquido. “Ele adere quase todos os tipos de materiais, com raras exceções, proporcionando elevada resistência a tração e variação de temperatura, bem como agilidade no processo de colagem”, explica Rui Paulo Pereira Junior, gerente de desenvolvimento comercial.
A linha Almasuper de adesivos instantâneos é formada por itens com características diferenciadas, como flexibilidade, viscosidade adequada para determinada folga, além de isenção de odor e blooming reduzido, podendo ser utilizado em ambientes confinados.
Preocupada com o ambiente, a Almata investiu dez anos em pesquisas para lançar o Almaflex 300, adesivo de contato base água que não apresenta forte odor e pode ser utilizado em ambientes fechados por não oferecer risco de incêndio e explosões, não causar dependência e não ser nocivo a saúde, já que é livre de solventes, como o toluol.
BASF
A BASF tem toda a sua linha concentrada em produtos ambientalmente corretos, livres de solvente ou à base d’água. O produto da BASF mais indicado para a comunicação visual na indústria marítima é o Acronal A 240, polímero acrílico base água, totalmente isento de solventes. Ele apresenta um excelente desempenho em frontais de PVC, pois é resistente ao seu plastificante, proporcionando uma maior constância das propriedades de adesão e coesão ao longo do tempo. Além disso, apresenta boa resistência à água e boa estabilidade ao encolhimento.
Na opinião de Luciana, os laminadores de PVC para comunicação visual passarão a requerer produtos ecologicamente corretos, por causa da crescente necessidade desse tipo de produto. Com isso, há um grande espaço para o crescimento dos acrílicos base água, campo de atuação da BASF, num mercado tradicionalmente dominado pelos adesivos à base de solventes. “A BASF investe continuamente na melhoria do desempenho de produtos para essa aplicação e atualmente trabalha em futuros lançamentos”, adianta.
Brascola
O principal produto da Brascola para a indústria naval é o Araldite Náutico, adesivo epóxi desenvolvido com alta tecnologia exclusivamente para esse setor. Sua consistência pastosa garante maior rendimento e economia, já que o produto não escorre ao ser aplicado.
Outro destaque é o Brasuper MS Polymer, que tem como principal vantagem a resistência a superfícies e ambientes úmidos, podendo ser utilizado na fixação de metais, plásticos, vidro, madeira, concreto, entre outros. É resistente aos raios UV, não agride o ambiente, além de apresentar durabilidade superior aos selantes tradicionais, como o poliuretano, por exemplo.
Dow Corning
A Dow Corning tem desenvolvido diversas soluções customizadas nos últimos anos e destaca-se o uso de novas tecnologias de selantes bicomponentes, que melhoram a operação de montagem de equipamentos e sistemas utilizados pela indústria marítima. “Como principal vantagem, há a redução do tempo necessário para a cura do produto para aproximadamente 30 minutos e torna-se possível a automatização da linha de produção ou montagem”, cita Mauro Marchione, engenheiro de vendas e aplicação.
Outros destaques são os selantes com cura alcoólica, que não liberam substâncias que poderiam causar manchas na fibra de vidro, e também a tecnologia de selantes de silicone hot melt. Huntsman A Huntsman oferece a linha de adesivos Araldite, distribuída pela Brascola, e representa a ITW Plexus com uma linha de adesivos metacrilatos.
Pidilite
O Polyhobby 2H Profissional é um adesivo líquido epóxi bicomponente. A base da formulação de um de seus componentes é uma resina epóxi e o outro é um endurecedor tipo poliamida. É um produto muito usado em regiões litorâneas, em estaleiros e no setor marítimo para reparo em cascos de barcos e similares. “Também pode ser usado para preencher cavidades”, detalha Moacir Hungaro, gerente nacional de vendas B2B. Trata-se de um produto de fácil aplicação com tempo de secagem inicial de duas horas, obtendo-se o resultado pleno em termos de aderência após 24 horas.
O Polystic Uso Geral é um adesivo vedante antifungo e antimofo. Incolor, foi desenvolvido para colar, unir, vedar e calafetar variados tipos de materiais. Resiste a variações de temperatura, água, maresia e produtos de limpeza. Suporta torções, tensões, absorve impactos, fixa e preenche espaços. Usado para evitar infiltrações de água na vedação de barcos, sifões e telhas.
São Paulo Boat Show atrai 51 mil pessoas e gera R$ 165 milhões em negócios
Novidades do setor náutico encantaram o público de todo o Brasil
A 11ª edição do maior salão náutico indoor da América Latina bateu recorde de público e faturamento. Mais de 51 mil pessoas de todo o Brasil conferiram as novidades do setor, além de artigos de luxo e tecnologia. Durante os seis dias de evento, foram movimentados R$ 165 milhões.
Cerca de 150 expositores marcaram presença na feira, dentre eles os maiores estaleiros do País. As grandes embarcações, que este ano aliaram luxo e conforto à alta tecnologia, se mantêm como a principal atração. O estande do estaleiro Intermarine, um dos mais visitados, apresentou o maior barco da feira, com 68 pés, o equivalente a 20 metros. O Schaefer, estaleiro da Região Sul, expôs a luxuosa Phantom 500, uma lancha cabinada com o maior teto solar da categoria. A empresa Spirit Ferretti mostrou tanto sua linha de lanchas de passeio de 50 e 60 pés quanto sua esportiva, a Pershing 55. Já na Real Power Boats os destaques ficaram por conta da nova linha Top, com a Real Top 40, equipada com flybridge, e a Real Top 41, uma lancha cabinada de comando aberto, exibida pela primeira vez. Entre as lanchas de menor porte, tanto a Fibrafort como a Ventura exibiram seus novos lançamentos, uma lancha de 28 pés cabinada e outra de 25 pés de proa aberta, ambas muito visitadas durante o evento.
Não só os grandes iates foram as estrelas do evento. A cada ano, os barcos entre R$ 25 mil e R$ 50 mil estão entre os mais procurados. Este ano, o número de vendas permaneceu tão alto quanto em 2007, o que foi considerado positivo.
Na terra e na água
Outra novidade foi o avião anfíbio, uma aeronave que pode pousar tanto na terra como na água. Feito de fibra de carbono, o que garante mais leveza e rapidez, o SeaMax, exposto pela primeira vez no Brasil durante o Boat Show, gerou grande interesse nos visitantes. O sucesso foi tanto que nos seis dias de feira foram vendidas mais de 30 unidades, que tem o valor inicial de R$ 189 mil.
Cada vez mais pessoas estão interessadas nesse mercado, que cresce aproximadamente 10% ao ano. Um dos fatores para esse crescimento é a facilidade do comprador em financiar uma embarcação. Hoje, o financiamento pode ser feito em até 60 vezes. Além disso, a exportação também tem sido um tópico importante. Entre os estaleiros que mais exportam e que estiveram no Boat Show 2008 estão: Schaefer Yatchs (Angola, Noruega, Espanha, Argentina, Venezuela e Jordânia), Fibrafort (Holanda, Noruega, Austrália, Rússia, Venezuela e Espanha), Lanchas Ventura (Espanha, Portugal e Venezuela) e Colunna (Angola e Austrália).
“Mesmo com o aquecimento do mercado náutico, o evento superou todas as expectativas. Com o acesso ao financiamento e a qualidade cada vez melhor dos produtos, o Boat Show gerou mais negócios que a expectativa”, afirma Ernani Paciornik, criador e organizador do São Paulo Boat Show.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barco (Acobar), sete postos de trabalho são gerados para cada barco produzido. Além disso, a indústria náutica tem uma relação estreita com a expansão do turismo, que apresenta crescimento médio anual de 5%.
Espaço dos Desejos
Lançada há quatro anos, a área Espaço dos Desejos se tornou a maior concentração de público que existe hoje no País em torno do luxo. A cada ano cresce e apresenta produtos admirados não só pela qualidade como também pela inovação, diferenciação e tecnologia. Nesta edição, estiveram nesse local mostrando suas novidades mais cobiçadas marcas como BMW, Butterfield&Robinson, Heineken, Burn, Dior, Ellus, Embraer, Acqua di Parma, Fnac, Gafisa, Globo, i-House, Intel, Kaleidescape, Motorola, Nespresso, Panasonic, Positivo Informática, Samsung, Set-Travel, Sony, Suvinil, Kia Motors, TAM Aviação Executiva (helicópteros), TAM Linhas Aéreas, World-Wine e Rolls-Royce. |