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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
Adesivos & Selantes
Sumário

Novos horizontes para transportar

 

O mercado de adesivos e selantes para as indústrias de transportes, tanto na terra, no ar ou na água, está em franca expansão. O motivo? Nunca se produziu tanto automóvel e avião no Brasil.

 
Tatiana Karpovas
 

Um automóvel leva cerca de quatro quilos de adesivos em sua estrutura. Um avião, de 10 a 12 quilos. Todas as peças que exigem vedação e adesão, como motores, eixos, lanternas e faróis, cárter, juntas de cabeçote, filtros de óleo, bombas d´água, sistemas de ignição, etc., precisam de adesivo. O próprio automóvel ou avião também pode levar diversos tipos do produto, como no caso do logotipo da companhia, que pode ser colado na direção ou na embreagem com um adesivo instantâneo, por exemplo. As aplicações são múltiplas, desde as simples colagens de tapeçaria até os produtos anaeróbicos para os travamentos químicos.

Os adesivos também são utilizados para a proteção e anticorrosivos para a carroceria e poliuretanos para a colagem do pára-brisas e dos vidros em geral. Enfim, servem como reforço estrutural para o carro ou avião. Os adesivos estruturais na indústria de transporte envolvem aplicações em montadoras, aftermarket, veículos fora-de-estrada, máquinas agrícolas e indústria náutica em geral. Dentre as aplicações, pode-se citar a colagem e reparação de grades e pára-choques, laterais de ônibus, faróis e grades de caminhões; cascos, chassis e componentes internos de embarcações; colagem de pisos e assoalhos em caminhões de transporte de animais e colagem lateral, frontal e traseira das carrocerias de veículos especiais (frigoríficos, por exemplo).

O acabamento interno é o que mais utiliza adesivos. Isso se deve à multiplicidade de materiais contidos na parte interna de um carro, ônibus ou caminhão, onde o uso de sistemas mecânicos de fixação torna-se impossível ou pouco produtivo.

Esse é um dos motivos de sucesso dos adesivos e selantes nas indústrias de automóveis, de transportes e aeroespacial. E uma preocupação constante da indústria de transporte é a questão de redução de peso dos veículos. De acordo com André Cardinalli, gerente de negócios da América Latina da Bostik, os adesivos, nesse aspecto, são a resposta ideal para esse requisito. “Normalmente, os adesivos são mais leves que os sistemas de fixação mecânicos, colaborando para a redução de peso e aumento de desempenho do produto final”, compara.

Na visão de Rodrigo Castellã, gerente de mercado da Sika, com o passar dos anos o conceito de fixação mecânica (parafusos, rebite, solda, etc.) vem sendo substituído pelo conceito de colagem com adesivos. “Ainda existem alguns paradigmas a serem quebrados, mas grande parte das indústrias automotivas já consegue visualizar os benefícios da fixação com adesivos”, comenta. Segundo ele, o segmento automotivo no Brasil ainda utiliza pouco adesivo por veículo produzido, comparando-se com Europa e Estados Unidos. “Dessa forma, temos um potencial muito grande a ser explorado em nosso mercado. Temos como fator positivo um maior interesse das indústrias automotivas em utilizar adesivos e selantes. Como fator negativo, temos a falta de conhecimento do setor produtivo sobre a tecnologia de colagem por meio dos adesivos”, finaliza.

Base solvente em queda
Uma aplicação que tem se destacado muito é o isolamento acústico de automóveis e aviões. “Uma formulação adesiva é aplicada em certos pontos do automóvel em substituição a placas de isolamento. Essa prática diminui o peso total do automóvel com vantagens no isolamento acústico”, explica Reginaldo Cassiano, gerente de vendas e marketing da BASF.

Segundo ele, os adesivos mais utilizados pelas indústrias automotiva, de transportes e aeroespacial são os adesivos acrílicos, em mais de 50% das aplicações, seguidos pelos hot melts (SIS/ SBS) e, em menor quantidade, com tendência de queda, os adesivos base solvente. “Os adesivos hot melts têm uma boa relação custo/benefício, mas têm limitações em aplicações onde há exposição a temperaturas mais altas, enfrentando restrições em automóveis e aviões”, afirma. Os adesivos acrílicos têm o maior “range” de aplicação, conseguindo uma boa performance na maioria dos requisitos. Os adesivos base solvente têm clara tendência de diminuição devido às conseqüências ambientais de sua utilização, tanto em sua produção e uso e até mesmo depois de sua aplicação devido à emissão de voláteis orgânicos. José Luis Haubrich, diretor da Unidade de Negócios Adesivos da Artecola, diz que a indústria brasileira ainda trabalha com a maioria das aplicações utilizando adesivos base solvente, mas a tendência é a substituição por aquosos e hot melts.

Na opinião de Castellã, da Sika, a utilização dos adesivos depende muito do tipo de aplicação. Para a colagem de vidros, por exemplo, a empresa oferece adesivos de poliuretano monocomponente. Para colagem de tecidos, adesivos de laminação, como, por exemplo, hot melts, e para colagem de componentes metálicos ou plásticos, a companhia utiliza também adesivos de poliuretano ou acrílicos bicomponentes.

Mercado certificado
Existem normas que controlam os índices de performance dos componentes adesivos na montagem dos componentes em automóveis e aviões, mas essas normas, apesar do aumento na exigência técnica dos produtos, têm diminuído continuamente a tolerância quanto à emissão de voláteis e à utilização de produtos orgânicos. “Novas oportunidades têm surgido para o desenvolvimento de produtos ambientalmente corretos. Na Europa, por exemplo, existe a necessidade da adequação de todas as indústrias com relação a níveis muito baixos de emissão de voláteis orgânicos, e a data limite para essa adequação é 2010. Até lá todos os componentes utilizados deverão estar dentro desses limites muito restritos”, conta Cassiano, da BASF.

Peter Baumgartl, CEO da Pidilite, diz que as montadoras de veículos leves, ônibus e caminhões são submetidas às leis de aprovações rígidas, seja pelos seus clientes finais ou pelas legislações e certificações vigentes no mercado. “Um exemplo é a ISO TS 16.949, vigente nas montadoras e pela qual a Lord também é certificada”, acentua. Na indústria aeronáutica, segundo ele, as normas e especificações são mais rígidas ainda, envolvendo testes complexos e aprovações por organismos internacionais.

Richard Weiss, gerente de desenvolvimento de mercado e vendas para a América do Sul e Central da PPG Aerospace PRC-DeSoto, diz que na indústria aeroespacial os selantes devem passar por especificações técnicas bem rígidas. “Cada tipo de aplicação de selante passa por rigorosos testes específicos”, garante.

Para Cardinalli, da Bostik, as certificações de qualidade de qualquer fornecedor hoje já não são um diferencial, mas condição mínima para poder fornecer para o setor de transportes. “Agora, estamos em um segundo estágio, no qual os fornecedores estão sendo convocados a fornecer seus produtos a custos competitivos e de maneira ecologicamente correta, sem a presença de metais pesados ou outros agentes perigosos. Além disso, é cada vez mais freqüente a participação efetiva dos fornecedores nos projetos, apresentando soluções criativas para as necessidades de colagem”, alerta.

Dentre as exigências técnicas dos produtores de automóveis e aviões, Paul Schmitz, químico de aplicação da Wacker, cita materiais com maior resistência a baixas e altas temperaturas e maior resistência frente a óleos e fluidos. “As exigências ambientais também têm sido rigorosas, como ausência de metais pesados e outras substâncias perigosas”, exemplifica. Haubrich, da Artecola, concorda: ele diz que cada vez mais os produtores de automóveis estão buscando produtos auto-sustentáveis, ou seja, que não agridam o ambiente quando tiverem que ser descartados ou reciclados. Além disso, exigem o atendimento das normas ambientais como a ISO 14000.

Baumgartl, da Pidilite, comenta que a indústria de automóveis está entre as mais exigentes no quesito ecologia e toxicologia e as suas demandas têm como conseqüência benéfica o estímulo ao desenvolvimento dos fabricantes de adesivos e a difusão de melhores produtos no aspecto ambiental.

Preocupação com o ambiente
A consciência ambiental tomou conta da indústria de transportes. A questão de produtos ambientalmente corretos é uma preocupação constante da Wacker. Um exemplo atual é a substituição de silicone do tipo RTV-1 cura oxímica, cujos efeitos estão sob discussão, para RTV-1 cura alcóxi. “Esse último apresenta durante a cura um leve odor de álcool que não é irritante nem perigoso”, mostra Vagner Fonseca, gerente de vendas. Ele diz que é muito importante notar que o silicone, por natureza, é um material não tóxico quando comparado com outros materiais alternativos.

Weiss, da PPG, diz que é cada vez maior a procura por produtos ecologicamente corretos, como selantes com catalisadores de reação livre de cromo hexavalente e também de menor densidade e com composição de solventes não poluidores de ar e menor valor de VOC (volatil organic compound).

A Artecola trabalha com tecnologias limpas, tais como primers e adesivos em meio aquoso, bem como adesivos hot melts. “Além disso, trazemos o que está ocorrendo no mundo em tecnologias limpas para adesão através de nossa parceira tecnológica, a Forbo”, conta Haubrich.

A Pidilite investe em “tecnologias verdes” e promete trazer ao Brasil, em breve, adesivos de contato sem tolueno e produtos contratipos de poliuretanos sem isocianatos. Cardinalli, da Bostik, observa que o uso de adesivos base solvente vem declinando ano após ano, justamente pela questão ambiental. “Além disso, a Bostik tem um programa de redução de consumo de energia e desperdício em seus processos produtivos, preocupada com o consumo de energia no mundo”, complementa.

A 3M possui em seu portfólio de produtos a linha Fastbond, à base de água, e o adesivo em cilindro 94CA, que emite um baixo volume de orgânicos voláteis. “Esse adesivo está, inclusive, liberado para uso na Califórnia, estado americano que tem a legislação mais restritiva”, reforça Bruno Zorzetto, especialista de marketing da Divisão de Adesivos e Fitas Industriais da 3M do Brasil.

A BASF se preocupa em apresentar ao mercado produtos ambientalmente adequados. O tema eco-eficiência é prioritário no desenvolvimento de todos os produtos. A empresa tem um portfólio de produtos que inclui adesivos acrílicos base água e tem uma linha completa de produtos isentos de emulgadores etoxilados, o que elimina um componente perigoso da formulação dos adesivos. “A BASF acredita que a sustentabilidade ecológica dos adesivos é condição primordial para o sucesso em seus negócios”, argumenta Cassiano.

Rodrigo Andrade, gerente nacional de vendas varejo da Brascola, diz que a companhia tem um compromisso com o ambiente e a preocupação constante com as condições de trabalho de seus colaboradores. “Temos o hot melt, produtos 100% sólidos, isentos de solventes. Além disso, a Brascola possui a linha Ecopren, de adesivos à base de água, que pode ser utilizada em outros segmentos”, aponta.

Pausa para análise
Na visão de Haubrich, da Artecola, o mercado de adesivos para transportes, a cada ano que passa, tem ficado mais competitivo, não só pelo aumento da concorrência, mas também pelos avanços da tecnologia das matérias-primas com base no petróleo e exigências dos clientes. “Nossa missão tem como foco a inovação. Essa inovação não está apenas em fazer produtos de alto desempenho e qualidade, mas também no atendimento das necessidades dos clientes, ajudando-os a desenvolver suas aplicações com serviços especializados”, acentua. “O potencial brasileiro e latino-americano é muito promissor e depende de trabalho árduo e de estar mais próximo do dia-a-dia dos clientes com eficiência, qualidade e sustentabilidade ao meio ambiente”, analisa.

Marino Francesco Gaiofatto, gerente de mercado para a América do Sul da Lord, diz que a indústria de automóveis e motocicletas passa por seu melhor momento em toda a história no Brasil e as perspectivas são excelentes para o futuro. “Ser o sexto maior fabricante de automóveis, à frente de países como a França, é um privilégio, mas traz junto a responsabilidade de manter padrões tecnológicos elevados de produto e de produção”, condiciona.

Para Cardinalli, da Bostik, esse é um mercado que move a economia. “Quando o setor automobilístico vai bem, a economia como um todo também caminha no bom sentido. Nos últimos meses temos observado um crescimento acelerado no setor, seja puxado pelas vendas de automóveis ou ainda pela grande produção de tratores para atender o setor agrícola”, avalia. Segundo ele, a facilidade de crédito tem sido a locomotiva do setor, porém o aumento recente das taxas de juros pode reduzir o ritmo de crescimento.

Zorzetto, da 3M, acredita que o mercado de adesivos vem crescendo no mesmo ritmo dos mercados de automóveis e aviões. “É um ritmo acelerado”, observa. Segundo ele, o potencial desse mercado no Brasil é enorme, não apenas pelas montadoras e Tiers (Texas Integrated Eligibility Redesign System) que estão localizados no País, mas também pela grande quantidade de novos projetos que têm sido lançados nos últimos anos. Andrade, da Brascola, diz que a economia brasileira está aquecida, assim como o mercado automotivo. “Esses fatores impulsionam a venda de adesivos para esse segmento”, comemora.

A Wacker atribui parte do crescimento do mercado de adesivos ao desenvolvimento do mercado em geral, mas uma parte considerável também deve-se à substituição de outros adesivos pelo silicone. “Isso é resultado das melhores propriedades do silicone frente às exigências impostas”, acredita Berndt Stadelmann, gerente de desenvolvimento de marketing da empresa.

Para Gaiofatto, da Lord, o mercado tem acompanhado o crescimento da produção, impulsionando as vendas de adesivos atreladas a essas aplicações. “O que tem contribuído para o desenvolvimento das empresas idôneas nessa área é a crescente demanda por certificação de terceira parte e tecnologias ambientalmente corretas”, detecta.

No ar
Falando especificamente do mercado aeronáutico, Weiss, da PPG, diz que o setor pode ser dividido em dois distintos segmentos. O primeiro refere-se à Embraer e aos subcontratados da Embraer para partes específicas dos programas da companhia. “Esse mercado tende a crescer conforme a produção das aeronaves existentes, como a Embraer 170/190, o Legacy 600, e o recente Phenom 100, além do lançamento e produção de novos programas, como o Phenom 300 e outros”, enumera. O segundo mercado é o de linhas aéreas, que utiliza somente os selantes especificados pelas montadoras num processo de manutenção ou de reparos emergenciais. “Trata-se de um mercado que cresce à medida que as linhas aéreas incorporam mais aeronaves em suas frotas”, atesta.

Para Cassiano, da BASF, o mercado brasileiro tem aumentado rapidamente sua competitividade. A globalização tem movimentado todos os participantes da cadeia de produção. Existe um forte mercado doméstico, que busca produtos de alta qualidade com custo competitivo, mas ao mesmo tempo o Brasil tem se inserido rapidamente no mercado mundial. Segundo ele, dados mostram que de cada quatro carros produzidos no Brasil um é exportado. “Essa situação nos obriga a estar em nível de igualdade com os grandes centros produtores, com a introdução constante de produtos inovadores e tecnologicamente avançados. O desafio é grande, mas empresas mais globalizadas têm tido a oportunidade de aumentar sua participação no fornecimento de insumos de acordo com sua agilidade na transferência de tecnologia”, analisa. Ele conta que a BASF está presente em todos os principais mercados e tem como um dos pilares de sua estratégia a busca constante da competitividade e sustentabilidade de seus clientes. “Esse aumento contínuo da exigência técnica nos produtos nos dá uma oportunidade de destaque em tecnologia, o que entendemos como sendo uma grande competência da empresa”, comemora. “Acreditamos que o que ainda atrapalha o setor são os altos custos para exportação e transporte. Ansiamos por melhorias estruturais na plataforma de exportação brasileira, pois o Brasil poderá aproveitar melhor o avançado parque industrial que possui e aumentar sua participação no volume global do setor”, espera.

Cassiano tem grandes expectativas quanto ao desenvolvimento do negócio de adesivos no Brasil. De acordo com ele, o parque industrial brasileiro tem se modernizado, novos players globais estão chegando e se instalando na região. “Acreditamos que uma maior especialização ocorrerá dentro do setor, com aumento de qualidade e exigência de performance dos produtos. E esse aumento de exigência é crucial para que o Brasil consiga se inserir nesse mercado cada vez mais globalizado e competitivo”, afirma. A BASF busca se diferenciar por meio do fornecimento de produtos tecnologicamente adequados e focados nas necessidades de seus clientes e parceiros. “Cremos que é vital para todos nesse segmento conseguir aliar o grande potencial de nosso mercado doméstico com as enormes oportunidades que a região sul-americana e o mercado externo nos trazem”, finaliza.

Um mundo de tendências

3M
Dentre os adesivos da 3M para a indústria de transportes se destacam a linha de adesivos à base de água Fastbond e os adesivos estruturais Scotch Weld. Segundo Zorzetto, esses mercados necessitam cada vez mais de adesivos mais fortes, mais resistentes e fáceis de aplicar. “A 3M está investindo no adesivo Scotch-Weld DP760, que tem como grande diferencial a sua enorme resistência estrutural a temperaturas de até 180º graus. Além disso, ele tem boa resistência a produtos químicos.”

Artecola
Na opinião de Haubrich, a tendência é a utilização de adesivos que não possuem base solvente e que não agridam a saúde e ambiente, tanto na aplicação quanto na industrialização dos produtos. “Estamos desenvolvendo adesivos aquosos, bem como preparadores de superfícies (primers) utilizando água como solvente, mas são tecnologias que necessitam de investimento dos clientes, pois como o solvente é água, necessita-se de sistemas de secagem forçada, para agilizar o processo”, explica.

Confira a linha de produtos da Artecola:

- Base água (linha Artecol) - A formulação possui em sua composição uma parte sólida (50%) e outra líquida, que é menos agressiva ao meio ambiente. Na moderna indústria automotiva, utiliza-se poliuretano aquoso para colagens de diferentes partes do automóvel, tal como, laminado de PVC com ABS utilizado na lateral interna de porta.

- Base solvente (linha Régia) - Também apresenta uma parte sólida, que é o adesivo propriamente dito, em meio solvente. Os adesivos base solvente são utilizados na indústria automotiva há várias décadas. Muitas empresas estão organizadas para trabalhar com essa tecnologia, que é extremamente versátil, principalmente no processo produtivo, mas tem a grande desvantagem de ser mais prejudicial ao meio ambiente.

- Hot melts (linha Artemelt) - só possuem a parte sólida, portanto apresentam grande vantagem em termos de redução de resíduos, com uma tecnologia diferenciada. Em geral, são aplicados somente em equipamentos, pois devem ser aplicados a quente, normalmente em torno de 160°C.

- Termofilmes (linha Artefilm) - são adesivos que podem ser em forma de NETs, WEBs e filmes. Os termofilmes podem ser utilizados em diversas aplicações, tais como laminação de espuma com couro, laminados sintéticos e como barreira em injeção. Muitas aplicações novas devem ser desenvolvidas, pois essa é uma tecnologia nova no mercado.

Segundo Haubrich, todos esses adesivos são utilizados na indústria automotiva e de transportes em geral, alternando-se de acordo com as formas específicas de aplicação, diferentes temperaturas, processos de secagem, capacidade de aderência, etc.

BASF
A linha de adesivos acrílicos da BASF tem a marca comercial Acronal, que tem diversos produtos com aplicações industriais. Para a indústria automobilística, a BASF fornece adesivos utilizados na montagem de peças e cabos, nas aplicações para isolamento acústico, nos filmes de proteção para o transporte de automóveis e nas etiquetas em geral. A linha AcResin, por sua vez, alia as vantagens dos adesivos acrílicos com a maior resistência à temperatura dentre os adesivos utilizados em cabos e etiquetas automotivas. Para o setor de transporte, o destaque são os adesivos utilizados nas fitas para fechamento.

Na opinião de Cassiano, a linha de adesivos AcResin representa uma inovação dentro do campo de adesivos acrílicos. São apresentados com 100% de sólidos, isentos de solventes orgânicos e curáveis por meio de radiação ultravioleta. “A intensidade da radiação define as propriedades de coesão e adesividade, possibilitando uma enorme flexibilidade de aplicação e diversidade de aplicações”, mostra. Segundo ele, em geral, a exigência para os adesivos tem aumentado enormemente, mas existe uma busca contínua em direção a uma maior utilização de produtos amigos do ambiente, com menor emissão de compostos voláteis.

Bostik
O pacote de produtos da Bostik para o setor de transportes é formado por produtos para automóveis, ônibus, tratores, vagões ferroviários e aviões. Esse pacote de produtos é formado pelas seguintes tecnologias:

- Adesivos hot melts: usados para colagem de acabamento interno nos automóveis, tais como, carpete, capas de bancos e detalhes nos tetos.
- Adesivos base poliuretano: são responsáveis pela colagem de forração de portas e painéis de instrumentos.
- Adesivos tipo web: fazem a laminação de tecidos e espumas de acabamento interno.
- Selantes de poliuretano: fazem a vedação da estrutura metálica de ônibus, trens e caminhões.
- Selantes de butil: evitam a passagem de água, ar ou poeira nas frestas da estrutura metálica.
- Hot melt PUR: colagens internas do painel de instrumentos.
- Adesivos base solvente: colagem de passadeiras e forrações em ônibus.
- Filmes adesivos: colagem de revestimentos na cabine de aviões.
- Adesivos SMP: colagem de vidros e pára-brisas.

Brascola
O segmento automotivo que a Brascola atua compreende também as oficinas de reparação e pintura automotiva, fabricantes de carrocerias de caminhões e ônibus, empresas especializadas em colocação de vidros automotivos, concessionárias e outras companhias.

O grande destaque da Brascola para o setor automotivo é o KPO (branco e cinza), que foi desenvolvido para vedação e fixação permanente de chapas metálicas em carrocerias de automóveis e caminhões, emborrachamento original, reforço de capôs, soleiras e compartimentos de faróis. Entre alguns produtos que a Brascola disponibiliza ao mercado automotivo estão:

- Brascoved Batida de Pedra ASW-400 à base de água, desenvolvido especialmente contra batida de pedra em veículos, agregando também características de anti-ruído e anticorrosivo. Veda perfeitamente contra a entrada de poeira e água.
- Brascoved W-238, anti-ruído à base de borracha sintética, para proteção de partes internas e externas de automóveis. Pode ser lixado e pintado após secagem.
- Brascoved Pincel, anti-ruído automotivo de base asfáltica utilizado na proteção interna e externa de pára-lamas, pontas e assoalhos de automóveis e veículos em geral.
- Komatherm 605, composto protético antiferruginoso secativo removível para proteção de superfícies metálicas para armazenamento ao ar livre, ou transporte terrestre ou marítimo; é utilizado em diversos tipos de chapas metálicas, ferramentas, automóveis, prevenção contra oxidação de peças metálicas.

D´Altomare
Distribuidora da Dow Corning, entre outras empresas, a D´Altomare está investindo em alguns tipos de resinas epóxis e selantes especiais de silicone com aderência instantânea. Sua linha de produtos inclui selantes de silicone e adesivos epóxis.

Dow Corning
A Dow Corning fabrica uma ampla linha de selantes mono e bicomponentes, de cura a temperatura ambiente (RTV) ou sob aquecimento para vedação e montagem de diversas peças do ramo automotivo e aeroespacial. Alexandre Lembi, engenheiro de vendas e aplicações da empresa, conta que há uma nova tecnologia no mercado mundial de selantes lançada pela Dow Corning, o hot melt de silicone, que possibilita a mobilidade imediata das peças após sua aplicação e com todas as vantagens do silicone.

Evonik
Entre os produtos da Evonik para a indústria automotiva estão:

- Aerosil - São sílicas pirogênicas utilizadas para melhoria das propriedades mecânicas, como tensão de ruptura. Esses produtos também são utilizados como agentes tixotrópicos, que melhoram a estabilidade durante a estocagem, pois atuam como agentes anti-sedimentantes. Além disso, a adição de sílicas pirogênicas é utilizada para resistência ao escorrimento (sag-resistance) durante a cura, o que previne o escorrimento em superfícies verticais ou inclinadas.

- Dynasylan - São silanos que atuam como “pontes” moleculares entre os polímeros e as superfícies, melhorando a adesão nos diferentes substratos. Também auxiliam na resistência à umidade de um selante, além de prolongar a durabilidade de selantes de PU quando utilizados na fabricação do pré-polímero.

- Printex - São pigmentos pretos (negros-de-fumo) que, além da cor, melhoram a reologia, as propriedades mecânicas, o escorrimento e a proteção contra raios ultravioletas. Além disso, podem controlar a condutividade elétrica e podem ser adicionados como agentes reforçantes em altas concentrações.

- Polyvest e Polyoil - São óleos de polibutadieno, que aumentam a elasticidade dos selantes e melhoram a secagem dos mesmos.

- Degalan - São resinas metacrílicas termoplásticas que melhoram a adesão nos selantes automotivos. Essa linha de produto também é utilizada para vernizes termosselantes (heat sealing) largamente usados em embalagens de iogurtes e copos de água, pois melhoram a aderência do laminado de alumínio no plástico.

Lord
A Lord possui uma gama variada de produtos que atendem os segmentos automotivo, de implementos rodoviários e náutico, bem como a indústria de uma maneira geral. “No mercado aeronáutico, os adesivos são utilizados para testes de fadiga em estruturas aviônicas e pretendemos, em breve, conseguir a homologação para uso ‘in-flight’ em aplicação de interiores”, promete Gaiofatto.

Os adesivos estruturais da Lord contam com tecnologia de fabricação em base acrílica, epóxi e poliuretãnica, e diferentes características típicas, proporcionando um produto adequado ao processo de adesão dos substratos.

A inovação tecnológica presente globalmente na Lord, como conta Gaiofatto, atende às demandas de diferentes mercados por soluções que valorizem o seu produto final, se ajustem ao seu processo e lhes permitam alcançar objetivos estratégicos, tanto em um novo projeto quanto na melhoria de um antigo processo.

“Entre esses desenvolvimentos podem ser mencionadas as adequações de produtos às características típicas necessárias à aplicação do cliente”, ressalta Gaiofatto. “Pode-se citar uma espuma flexível ou rígida para enchimentos, selantes para acabamentos, adesivos com melhores propriedades ópticas e de resistência às intempéries e, ainda, adesivos para colagem de olefínicos e plásticos de engenharia”, exemplifica.

Pidilite
A Pidilite tem uma linha ampla de produtos para o after market automotivo e de motocicletas na Índia. No entanto, a linha de produtos mais técnica advém de uma aquisição nos Estados Unidos - da tradicional empresa Cyclo. A empresa é especializada em produtos automotivos, tanto na linha cosmética de “car care” como também de produtos para motores, câmbios e diferenciais - como aditivos de combustível, lubrificantes especiais, graxas e produtos sem solventes para aplicação no habitáculo de veículos e ainda de produtos para fixação e travamento, os adesivos anaeróbicos.

PPG Aerospace
Os principais produtos comercializados pela PPG para a indústria aeroespacial são os selantes aeronáuticos, como, por exemplo, selantes anticorrosivos, selantes para tanques de combustível, selantes estruturais, selantes aerodinâmicos, selantes condutivos, selantes resistentes a altas temperaturas, selantes de barreira de humidade e proteção à erosão para pára-brisas dos cockpits.

Weiss cita novas tecnologias de selantes de baixa densidade e de cura mais rápida como tendências. “A baixa densidade ajuda a diminuir o peso como um todo na aeronave. Basta salientar que a cada um quilo extra de peso, o consumo anual de combustível pode ultrapassar US$ 2 mil”, exemplifica.

Na sua opinião, o mercado aeroespacial está cada vez mais necessitado e exigindo uma produção local de selantes. “Temos planos de ter uma fábrica no Brasil para atender as necessidades locais e dos nossos países vizinhos”, promete.

Sika
A linha de adesivos e selantes da Sika para o segmento automotivo e de transportes é utilizada nas aplicações de colagens diversas, reforço estrutural, conforto acústico e vedação.

Castellã conta que a Sika tem investido fortemente no desenvolvimento de novas tecnologias, sempre buscando atingir as expectativas e exigências do segmento automotivo e antenada com a questão ambiental.

Wacker
A Wacker possui uma grande linha de adesivos para as indústrias aeroespacial e automotiva. Em função de características especiais, como adesão à maioria dos substratos, alta elasticidade, alta resistência a temperaturas extremas e repelência à água, os adesivos de silicone Wacker também podem ser empregados como selantes, encapsulantes ou revestimentos.

A linha de produtos pode ser basicamente dividida conforme abaixo, destacando os principais produtos:

- Silicone RTV-1 (Room Temperature Vulcanization, 1 componente): Produtos prontos para o uso e de fácil manuseio, cura à temperatura ambiente, excelente adesão sem necessidade de promotor de adesão (primer).

- Silicone RTV-2 (Room Temperature Vulcanization, 2 componentes): Produtos de cura rápida à temperatura ambiente.

É possível acelerar ainda mais a cura com calor para alguns tipos, ideais para sistemas de aplicação automáticos ou semi-automáticos.

 
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