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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
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Sumário

Lucro que gera sustentabilidade

 
Guido Adolph e Juliana Altruda de Souza
 

A Henkel lançou o Flextec, uma nova geração de selante mais amigável e, conseqüentemente, mais sustentável. O produto faz parte da preocupação da empresa com sua forte política de sustentabilidade.

 
Tatiana Karpovas
 

O ano de 2008 tem sido de grandes investimentos na área de selantes na Henkel. A empresa lançou o Flextec, que promete ser uma nova geração desse produto tão importante e ainda desconhecido no mercado brasileiro, utilizado principalmente pela indústria da construção civil. Guido Adolph, especialista mundial da categoria selantes da Henkel, esteve no Brasil durante a Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon), realizada no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, e falou, nesta entrevista, sobre o novo produto e o mercado de selantes. Ele é engenheiro químico e está há três anos e meio na posição de principal executivo de treinamento mundial da área de selantes da Henkel. Anteriormente, teve outras experiências na Henkel por oito anos e meio e também atuou na Bayer.

Prova do forte investimento que a companhia está fazendo na área de selantes é a contratação de Juliana Altruda de Souza para gerenciar a área de marketing de selantes. Ela também participou da entrevista complementando as informações sobre esse importante mercado. Juliana é formada em propaganda e marketing pelo Mackenzie e tem 11 anos de experiência no mercado de construção civil. É gerente da categoria selantes da Henkel desde janeiro deste ano. Anteriormente, trabalhou na área de marketing da Deca.

Adesivos & Selantes: Qual a importância do mercado brasileiro para a Henkel na América Latina e no mundo?
Guido Adolph:
O Brasil, para a Henkel, é um mercado muito importante, mas ainda tem muito para crescer. Por isso, estou fornecendo esse suporte para a Henkel no Brasil, trazendo novas tecnologias. Além disso, o mercado tem uma dúvida sobre a diferença entre adesivos e selantes e estou aqui para esclarecer essa diferença, inclusive porque ainda se usa muito pouco selante no Brasil.

Adesivos & Selantes: E por que isso acontece?
Adolph:
A utilização de selantes no mercado brasileiro ainda é pequena porque ninguém conhece a tecnologia desse produto. Muita gente não conhece o selante adequadamente, não sabe exatamente como usar nem todas as propriedades que ele oferece, o que reduz seu uso e seus benefícios, já que fica limitado a manutenção dos imóveis e de outros lugares onde pode ser aplicado. E isso acaba gerando outros custos. A vantagem de treinar, mostrar e aumentar o conhecimento para os consumidores profissionais e até para os finais é fundamental para aumentar o mercado e desenvolver e trazer toda essa tecnologia para o Brasil.

Juliana de Souza: No Brasil, o selante é visto como um produto utilizado para se fazer uma ou duas coisas. Mas existem diversas aplicações que não são utilizadas no Brasil. E, por isso, existem diversos tipos de selantes e silicones, para várias aplicações. Para cada aplicação você tem um silicone diferente e que tem que ter propriedades diferentes para ter a performance que você está buscando.

Adesivos & Selantes: Qual a diferença entre adesivos e selantes?
Adolph:
O selante é um elastômero que preenche as juntas. Deve ser elástico para compensar o movimento de um prédio, de uma construção. Sua propriedade de fixação é mecânica. Também serve como barreira contra intempéries, contra fatores externos, pois tem poder de impermeabilização. Na verdade, ele tem duas principais funções: a primeira é preencher as juntas e trazer essa elasticidade para movimentação e a segunda é criar uma barreira contra intempéries e ações do meio ambiente.

Juliana: Se você tiver dois pedaços de madeira colados com um adesivo de contato e tentar soltar uma parte da outra, ele vai quebrar porque o adesivo é muito rígido. Já o selante tem uma elasticidade que vai suportar a movimentação de uma construção. Ele não é tão rígido quanto o adesivo. Essa é a grande diferença dos dois materiais: a elasticidade, a adesão e essa barreira que o selante tem de não permitir a passagem de umidade, água, etc.

Adesivos & Selantes: Qual a estratégia de lançamentos da Henkel?
Adolph:
A Henkel está trabalhando com produtos que promovam a sustentabilidade. Desenvolvemos novas tecnologias para implementar a sustentabilidade com o selante. A última novidade é o Flextec, produto com tecnologia exclusiva da Henkel. Trata-se de uma nova geração de selantes que, no momento da aplicação, não necessita de um aditivo para ser aplicado. Até agora, só existia o PU (poliuretano), que precisava de um primer para ser aplicado, e a Henkel lançou uma novidade, que é o Flextec. O mercado de selantes teve primeiro o PU, que já foi uma revolução no mercado, depois surgiu o MS Polímero, e agora o Flextec. A indústria da construção precisava de um produto que trouxesse mais elasticidade ao aderir dois substratos. Ele cura mais rápido também. O Flextec tem uma base química única. É um produto que trouxe um novo degrau no mercado de selantes, foi uma virada no mercado.

Juliana: O Flextec vai ao encontro da bandeira de sustentabilidade que a Henkel está levantando porque não há nada tóxico na fórmula. É possível aplicá-lo dentro de uma residência porque não tem cheiro. O PU não pode ser aplicado dentro de casa porque ele libera uma toxina que faz mal. Outro diferencial é a estabilidade com os raios UV, o que é muito importante no Brasil, que tem muito sol. O PU tem baixa estabilidade contra o raio UV, o que pode causar o craqueamento e a troca de cor de um substrato que recebe muito sol. Pode haver infiltrações também. Além disso, o Flextec faz a adesão de diferentes materiais. Com ele, é possível aderir concreto, alumínio, vidro, mármore, madeira, etc. Uma característica importante do Flextec é a adesão em superfícies molhadas.

Adesivos & Selantes: Como é o trabalho de capacitação do profissional da Henkel?
Juliana:
A Henkel tem uma política muito forte de capacitação para o profissional. Nossas linhas de produtos são voltadas para diversos profissionais, o marceneiro, o instalador hidráulico, pedreiro, entre outros. Por isso, investimos em treinamento. Temos universidades na Alemanha e no Brasil que capacitam diversos profissionais. Participamos também de palestras em eventos, como a Casa Cor, por exemplo. E temos um treinamento móvel, um caminhão, que é levado para todas as cidades. Paramos o caminhão numa loja e treinamos todos os vendedores. A Henkel treinou cerca de 25 mil profissionais durante 2007 em cursos no Senai. Acreditamos que o produto bem aplicado vai durar mais e vai ser aplicado novamente. Isso é muito importante.

Adesivos & Selantes: Como é a política de sustentabilidade da Henkel e como ela é aplicada no Brasil?
Adolph:
A política de sustentabilidade da Henkel é voltada para si mesmo, ou seja, a Henkel enxerga a sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa pela forma com o que ela gera os lucros, não onde ela investe os lucros. Muita gente confunde filantropia com sustentabilidade. A Henkel também tem uma política filantrópica, de ajuda à comunidade, mas sustentabilidade é outra coisa, é a forma como ela produz os produtos, como são esses produtos, que tipo de ingredientes eles têm, qual o efeito que eles têm nos clientes, nos consumidores, e como ela trata o processo produtivo em si, ou seja, a forma de produzir, os resíduos industriais, como ela trabalha com essas questões.

A Henkel tem um histórico bastante grande de sustentabilidade. Ela tem três divisões: detergentes, adesivos e cosméticos. No Brasil, opera com adesivos e cosméticos, não tem detergentes. Cada um desses mercados tem uma característica diferente. Partindo de adesivos, a invenção do Flextec está dentro desse contexto, ou seja, criar produtos menos agressivos ao ambiente, que diminuam o custo do consumidor final, o custo final do processo. O produto pode ser um pouco mais caro e é, tem uma tecnologia superior, mas quando você compara no processo de aplicação, ele é mais barato porque você tira alguns processos do meio, usa um único produto em vez de dois ou três, faz mais rápido, e muitas vezes com menos consumo de energia. Então, você acaba gerando um menor impacto ao meio ambiente por tudo isso, por redução de custo, de energia, de materiais, etc.

Posso dar outro exemplo: temos um produto voltado para os marceneiros, para a adesão de madeira, chamado Cascola. Lançamos uma versão sem toluol, que é um solvente que causa dependência, é nocivo para a saúde. É um produto voltado para a sustentabilidade, para evitar esse problema social e também aumentar a qualidade de vida dos usuários dos produtos.

Nossas fábricas têm ISO 14001 e 9001. Inclusive nossos clientes demandam esse tipo de certificação e controle. São auditorias dos nossos processos para certificar que somos sustentáveis, que tratamos o ambiente adequadamente e estamos constantemente evoluindo a produção.

Adesivos & Selantes: Como está a participação da Henkel no mercado de selantes no Brasil? Qual a perspectiva de crescimento?
Adolph:
O mercado total de selantes no Brasil, segundo informações de um fornecedor de matéria-prima, atinge R$ 200 milhões. Cerca de 20% desse mercado está direcionados à área de construção civil. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), a expansão do setor em 2008 será de 12%. Infelizmente não podemos informar a porcentagem de participação da Henkel nesse mercado.

Juliana: A Henkel acredita muito no mercado de selantes. Por isso, a vinda do Guido Adolph, para tentar incrementar ainda mais o nosso conhecimento a respeito de tecnologia nesse mercado. Não tenho como passar números sobre investimentos exclusivos desse mercado, mas estamos capacitando profissionais. O Guido veio para o Brasil treinar 60 pessoas do nosso time só sobre selantes. Este ano será de investimento nessa área. Estamos acompanhando o crescimento da construção civil como um todo. Dentro da Henkel foi criada uma categoria para cuidar exclusivamente de selantes. Eu entrei na Henkel para assumir a gerência da categoria, para dar um suporte. Isso é uma prova de investimentos na área.

 
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