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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
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Sumário

Referência latino-americana

 

Disposta a chegar em 2010 com receita líquida de três centenas de milhões de dólares, o Grupo Artecola se fia na estratégia de inovar para crescer.

 
Marcos Mila
 

A intenção estratégica do Grupo Artecola é tornar-se referência latino-americana em insumos químicos e suprimentos industriais, alcançando, pela competitividade, US$ 300 milhões de receita líquida até 2010. Nesse processo, vem concluindo aquisições em ritmo acelerado. Somente de outubro de 2006 para cá foram cinco: além da recente mexicana Surna, foram compradas a paulista Addax, que expandiu a presença da Artecola no sudeste do Brasil; a Artiquim, no Chile; e a Pegamentos Sinteticos, no Peru, que permitiram ao grupo multiplicar sua presença nesses dois países; e a Asequim, na Argentina, onde outra fábrica já era mantida pela companhia.

Entre 2002 e 2007, a receita líquida do Grupo Artecola mais do que triplicou, partindo de US$ 43 milhões, em 2002, para atingir US$ 130 milhões, em 2007. O grupo conta com 16 fábricas em seis países, além de parcerias internacionais que permitem atuação nos mercados calçadista, moveleiro, papel e embalagens, transportes e consumo, entre outros. Neste ano, o grupo também redesenhou sua estrutura interna, passando a atuar com três unidades Estratégicas de Negócios (UENs): Laminados, Adesivos e Cabedais.

Segundo o presidente executivo do grupo, Eduardo Kunst, a inovação também é uma das identidades da Artecola, e dentro desse próprio conceito a empresa vem inovando, por meio de soluções ecoeficientes. Em 2007, 60% dos cerca de US$ 130 milhões de receita líquida - em torno de 30% de crescimento sobre 2006 - foram provenientes de produtos desenvolvidos dentro do princípio da Inovação para a Ecoeficiência, trabalhado na Artecola para a busca de soluções que contribuam para a competitividade dos clientes e, ao mesmo tempo, reduzam o impacto ambiental nos processos produtivos. “Temos dezenas de produtos desenvolvidos a partir dessa visão, reduzindo a geração de resíduos e substituindo matérias-primas tradicionais por fontes renováveis, que além de apresentarem grandes vantagens ambientais tornam-se diferenciais competitivos, porque eliminam custos posteriores com o tratamento de resíduos.”

Adesivos & Selantes - A empresa triplicou sua receita líquida nos últimos cinco anos. Quais os fatores que possibilitaram esse crescimento?
Eduardo Kunst -
Temos um planejamento estratégico bem definido, com sua primeira versão elaborada em 1998 e revisado anualmente, além de atualizações semestrais. Focamos muito fortemente em nossa intenção estratégica: tornar a empresa referência latino-americana em insumos químicos e suprimentos industriais. O objetivo era chegar a 2010 com receita líquida de US$ 300 milhões, e todas as ações, desde o final dos anos 90, têm sido nesse sentido, totalmente alinhadas ao nosso planejamento. O foco estava bastante claro para todos, facilitando o trabalho rumo a nossa meta, o que não significa que tenha sido fácil. É um esforço permanente de leitura de sinais do mercado, antecipação de informações, percepção de oportunidades e muita execução.

A&S - Recentemente, a empresa fez cinco aquisições de indústrias no Brasil e na América Latina. Quanto foi investido nesses negócios e quais os planos para curto e médio prazo em novas aquisições?
Kunst -
Os valores de investimentos e os novos planos são mantidos dentro do nível de informações estratégicas, sendo que em muitos casos temos formalmente o compromisso de manter o sigilo dos valores. Quanto aos planos para o futuro, podemos dizer que vamos seguir a estratégia definida e isso significa que novos projetos de aquisição seguem sendo parte de nossos planos.

A&S - Como essas empresas, que agora fazem parte do grupo, contribuíram para aumento do portfólio de produtos?
Kunst -
Analisamos muitos aspectos ao identificar uma possível aquisição, mas dois pontos importantes sempre são considerados: o mercado de atuação e a linha de produtos. Tivemos ganhos importantes nos dois aspectos, seja complementando nosso portfólio, seja ampliando de maneira significativa nossa presença em alguns países, como Chile e Peru. Dentre as recentes aquisições, poderíamos falar do mercado de adesivos para construção civil e para a área de consumo (retail), que agregaram importante expertise para as operações da Artecola a partir de uma das aquisições.

A&S - Com as novas fábricas, a Artecola deve redirecionar sua produção e suas marcas?
Kunst -
A tendência geral é o crescimento. Já fizemos importantes investimentos nas unidades adquiridas em tecnologia e ampliação de capacidade produtiva, sempre com o foco de a unidade atender a região em que está inserida, mas, ao mesmo tempo, privilegiando a sinergia desenvolvida entre os negócios existentes e os incorporados. Quanto à estratégia de marca, em todos os casos há um plano de transição de marcas privilegiando as marcas corporativas da Artecola e suas subdivisões.

A&S - Como ficou a estrutura que dividiu as novas unidades de negócios? Elas terão sinergia entre si ou devem operar separadamente?
Kunst -
As unidades atuam com autonomia na operação e um alinhamento estratégico. Com isso ganhamos em agilidade, mas sem desconsiderar as oportunidades importantes que a sinergia nos proporciona. A divisão contribui para definição de estratégias e organização dos negócios, mas não ignora a realidade do mercado, estimulando todas as sinergias possíveis para tornar o atendimento ao cliente cada vez mais integrado e eficiente. Isso é especialmente importante porque muitos de nossos clientes estão relacionados com mais de uma unidade e região.

A&S - Em termos de tecnologia e inovação, o que pode ser destacado no portfólio de adesivos da empresa?
Kunst -
Temos crescentes investimentos na ampliação e no desenvolvimento de adesivos em base aquosa e “hotmelt” (100% sólidos), que eliminam o uso de solventes orgânicos e contribuem para a redução da emissão de VOCs (compostos orgânicos voláteis), diminuindo também a utilização de recursos não renováveis. Nesse perfil, estão as linhas Artecol (base água), com diversas tecnologias de produtos para as mais diversas aplicações calçadistas, como montagem, preparação e colagem de solados. Também se encaixam no padrão ecoeficiente os termofilmes, assim como o Artemelt 0100, produto “hotmelt” desenvolvido para palmilhas de montagem e que possibilita a substituição da tecnologia em base solvente. A linha Limpador 500 (limpador base água) e o Arteprymer W2 (halogenante aquoso) são complementos importantes como busca de alternativas aos processos de colagem totalmente alinhados aos conceitos de ecoeficiência.

Ainda na área de adesivos, o Grupo Artecola foi premiado na FIMMA Brasil 2007 com o Limpador 140, produto para limpar coleiros com tecnologia inédita na América Latina, por ser biodegradável e isento de tolueno e benzeno, entre outras pesadas substâncias que têm origem em uma fonte não renovável: o petróleo.

E estamos com forte desenvolvimento na área de nanotecnologia para lançar produtos ainda mais eficientes em um futuro próximo.

A&S - Com os investimentos no conceito de produção mais limpa, quais os principais resultados disso?
Kunst -
Este é o conceito com o qual trabalhamos há mais de cinco anos, desenvolvendo produtos que reduzam o impacto ambiental, principalmente por meio da redução da geração de resíduos e de quase cinco anos, desenvolvendo produtos que reduzam o impacto ambiental, principalmente através da substituição de matérias-primas tradicionais por fontes renováveis. Além de apresentarem grandes vantagens ambientais, tornam-se diferenciais competitivos, porque eliminam custos posteriores com o tratamento de resíduos. Recebemos diversas premiações, concedidas por entidades de alta credibilidade e julgadas por profissionais de grande experiência, por conta da Inovação para Ecoeficiência, apresentando uma visão diferenciada em termos de desenvolvimento de produto. Percebemos que esses aspectos eram de grande relevância e poderiam gerar resultados globais, abrangendo todos os benefícios que a ecoeficiência pode gerar – ambientais e de competitividade. Por isso, decidimos, ainda nos anos 90, apostar nessa linha de pesquisa, começando a apresentar ao mercado alternativas hoje reconhecidas, aprovadas e amplamente utilizadas.

 
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