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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
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O colador

 

Inodoro e com excelente poder de penetração, o adesivo PVA é largamente usado nas indústrias madeireira e moveleira.

 
Fábio Sabbag
 

PVAOs reflexos positivos do crescimento da construção civil começam a refletir em vários mercados. Segundo dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), a indústria de móveis contabilizará expansão de 12% em 2007. Um dos prováveis destaques em 2008 será o investimento no mercado interno. Pelo menos esse é o rumo que traça a indústria de móveis de Santa Catarina.

Conforme pesquisa realizada pela Federação das Indústrias (Fiesc), a indústria catarinense conta com 129 empresas. Desse total, 63,5% planejam investir no próximo ano para atender o mercado interno.

Com tantos números positivos e expectativa de um mercado nacional revigorado, os fornecedores da indústria também celebram o bom momento. Inodoro e com excelente poder de penetração, o adesivo PVA é largamente usado nas indústrias madeireira e moveleira. “O adesivo de PVA é amplamente utilizado principalmente pelos profissionais marceneiros. No Brasil, em geral, os grandes consumos de adesivos PVA se concentram na indústria de móveis e reformas, na área escolar industrial e de artesanato. Os adesivos de PVA se caracterizam por sua excelente compatibilidade com a madeira. Também possuem um odor característico de acetato de vinila, presente em produtos sem solventes orgânicos, ou seja, à base de água. A qualidade para uma boa colagem depende de vários fatores. Um deles é o tipo de madeira, que pode ser de maior ou menor densidade. Para se adequar a esses diversos tipos de madeira existem adesivos com diferentes viscosidades. Outro fator importante é o conteúdo de sólidos presente no adesivo. O tempo de secagem está diretamente ligado à quantidade de água no produto e à umidade ambiental. Como os produtos secam por meio da evaporação da água presente no adesivo, em ambientes mais úmidos o tempo de secagem é maior. Do ponto de vista de aplicação, os adesivos de PVA se dividem em uso profissional (madeiras e reparos), industrial, escolar e decoração. Cada um deles é caracterizado por certos tipos de aplicações. Uma escolha inadequada do adesivo pode causar atrasos no processo de fabricação em uma linha de produção”, fala Fernanda Djanikian, gerente de marketing de selantes da Henkel.

Na opinião de Milton José de França Barreto, gerente-geral, performance adhesives da Hexion Química, dentre todos os segmentos em que os adesivos são empregados, o madeireiro e moveleiro são os que apresentam maior participação dos adesivos vinílicos. “Estimamos uma participação acima de 20% desses adesivos nos segmentos madeireiro e moveleiro. Quanto à debilidade desses adesivos em relação ao processo de secagem, há adesivos vinílicos reticuláveis que atendem a essa demanda por meio de processos produtivos com secagem a quente ou em prensas de alta freqüência”, diz.

Para a Almata hoje o mercado madeireiro é o maior consumidor de adesivos PVA. “A secagem lenta realmente atrapalha, mas não chega ser um problema, pois hoje existem técnicas para adiantar a cura desse produto”, conta Rui Paulo Pereira Júnior, gerente de desenvolvimento comercial da Almata Química.

Outros nichos e barreiras
Além dos segmentos madeireiro e moveleiro há outras aplicações em que a cola PVA pode cumprir os objetivos. “A indústria de tintas se beneficia dos adesivos PVA, pois são componentes na fabricação de tintas. A indústria de molduras decorativas de madeira é outra beneficiada, pois os adesivos de PVA são utilizados como matéria-prima na colagem. Além disso, as linhas Cascola e Tenaz atendem aos setores escolar e de artesanato”, fala Fernanda.

De acordo com Barreto, além do segmento madeireiro e moveleiro, os adesivos PVA são usados na construção civil, papel e embalagem, transportes, calçados e couros, consumo e operações de montagens, têxtil, entre outros. “Uma grande vantagem dos adesivos vinílicos é que se encontram no estado líquido, sendo condição fundamental aos adesivos sua aplicação no estado líquido”, observa.

Por ser um adesivo de ‘fácil’ produção, um problema enfrentado pelo mercado é a famosa ‘concorrência desleal’ em conjunto com a informalidade. Pereira discorda e diz que, ao contrário do que possa parecer, o adesivo PVA não é um produto de fácil produção. “Adesivos PVA com qualidades especiais para finalidades específicas exigem técnicas avançadas de formulação e de fabricação. A concorrência desleal acontece por causa da falta de informação e da guerra para baixar custos da indústria usuária do PVA, que acaba, na maioria das vezes, utilizando um produto inadequado para um fim específico, causando problemas futuros de adesão em seu produto final, por causa da falta de tecnologia na fabricação desse adesivo PVA pela informalidade”, fala o gerente de desenvolvimento comercial da Almata Química.

Barreto não olha a informalidade como relevante nesse mercado. “Vejo como um problema para os adesivos vinílicos, principalmente para a indústria madeireira, a falta de informação sobre o processo de aplicação correta desses adesivos, mesmo aqueles não-reticuláveis e que não apresentam reações químicas (reticulação) em seus processos de colagem. Hoje, as empresas competitivas trabalham com produtos que atendem necessidades específicas e os adesivos de ‘fácil produção’ não atendem às novas demandas”, explica Barreto.

A informalidade que se espalha pelo País é um dos vilões do mercado. “O mercado de quaisquer bens de consumo sofre concorrências desleais devido à informalidade no País. A informalidade varia conforme a região e os concorrentes locais. Contudo, a Cascorez se destaca da concorrência, sendo muito reconhecida pelos profissionais”, fala Fernanda.

Olho no potencial
Devido ao tamanho e poder de consumo dos mercados brasileiro, indiano e asiático, grandes conglomerados químicos começam a injetar capital para produção de cola branca. Grandes aquisições de empresa nacionais já aconteceram e podem vir mais surpresas em 2008. “Na medida em que o Brasil se desenvolve e aumenta o número de construções, o consumo de PVA crescerá notavelmente. Afinal, o País é um dos principais produtores mundiais de madeira. Por outro lado, muitas empresas estão industrializando os processos e os fabricantes de madeira começam a produzir madeiras prontas para o uso por parte do cliente final”, fala Fernanda.

A competição entre produtos nacionais e importados tornou-se uma ameaça e nesta disputa quem, na maioria das vezes, sai perdendo é o produtor local. “Com o câmbio nos níveis atuais e sem uma política governamental que evite uma guerra desleal com os produtos importados, temos hoje, no Brasil, produtos à base de PVA de várias procedências competindo com os produtos fabricados por fornecedores locais. Quero lembrar que o que conta nos adesivos é a qualidade com que foram elaborados, o teor de sólidos destes produtos e a sua performance de colagem. Existem hoje no mercado produtos importados com baixo teor de sólidos competindo com produtos fabricados localmente e de última geração. Cabe aos clientes entender o que estão comprando para analisar a competitividade de cada produto”, explica Barreto.

Projeções para 2008
De acordo com Barreto, o consumo de adesivos base PVA continua crescendo no mercado global e local. “Estimamos um aumento no consumo dos adesivos PVA, pelos clientes no mercado brasileiro, da ordem de 6% durante 2008. Embora pareça que os adesivos vinílicos sejam produtos da velha geração, eles continuam apresentando forte crescimento no mundo global. Hoje temos produtos reticuláveis que atendem às demandas específicas dos nossos clientes. Empresas abertas a mudanças ainda podem explorar muito a competitividade dos adesivos vinílicos.”

A grande aposta para 2008 da Henkel é a marca Cascorez. “A Henekl lança uma nova tecnologia que possibilita o desenvolvimento de produtos mais fortes e com secagem mais rápida. Essa é uma importante inovação que vai ao encontro das grandes solicitações dos profissionais marceneiros”, avisa Fernanda.

 
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