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Brasil, 4 de Julho de 2009
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O camaleão dos adesivos
 

Grande poder de adaptação e composição hábil para atender a diversos mercados levam o hot melt a atingir crescimento exuberante dentro do segmento de adesivos e selantes.

 
Fábio Sabbag
 

Em reportagem passada, Adesivos & Selantes encontrou opiniões que apostavam no hot melt como um adesivo de futuro. Isso é passado. Hoje ele já não é encarado como um produto de futuro; ele é um dos que anteciparam o futuro. Graças à sua versatilidade e capacidade de transitar em uma vasta gama de segmentos, o hot melt inverteu o raciocínio lógico: se era encarado como um adesivo com futuro brilhante, agora quem precisa se adaptar ao novo é o profissional que lida com o adesivo.

Já é sabido que sua presença é bem-vinda em vários mercados. Futurístico é trabalhar sua composição para aumentar seu poder de ação e, conseqüentemente, conquistar novos nichos de mercado.

No Brasil, o adesivo nasceu no início da década de 70 - lá fora já vinha sendo trabalhado. Não se pode negar que para alcançar diversos mercados sua base-mãe foi o mercado moveleiro. “Como o adesivo hot melt está intimamente ligado ao equipamento aplicador e, considerando-se que naquela época a produção local de aplicadores era pequena e as dificuldades para importação e a instabilidade econômica eram fatores de restrição, houve limitação do mercado de hot melt naquela época”, relembra Sérgio Kosmiskas, diretor técnico da Adecol, sem esquecer o presente: “Atualmente a estabilidade econômica, facilidade de importação e um grande número de fabricantes de equipamentos aplicadores levam à expansão da utilização do hot melt. A indústria de pequeno porte, incluídos os usos artesanal e doméstico, por meio de pistolas manuais de aplicações de hot melt, contribui para o avanço do adesivo”, completa.

Conforme Jardel Mello, gerente de aplicação da Artecola, as empresas de maior visão e conhecimento do mercado apostavam e tinham conhecimento de que o consumo de hot melt iria aumentar e continuar assim, como ocorre atualmente. “Sempre que se automatiza uma operação, utilizam-se equipamentos modernos que, por sua vez, geralmente utilizam hot melt pela possibilidade de altíssimas velocidades de produção. Como em todos os mercados, tivemos os pioneiros, os que logo seguiram a tendência e os que estão se adaptando à medida que uma tecnologia se consolida”, conta Mello.

De acordo com Ivan Batista, marketing da Amazonas Quimicam, há 14 anos a empresa desenvolve o produto. “Nos últimos anos a demanda aumentou significativamente e os principais mercados são embalagens e móveis”, lista Batista. Na opinião de Luiz Henrique Duarte, gerente de marketing e vendas 3M, o futuro não está tão distante assim. “Para a 3M o futuro já começou há anos, quando se iniciou internamente uma busca por aumento de portfólio de linhas de adesivos hot melt, como as formulações à base de EVA, copolímeros blocados ou mesmo a tendência do PUR”, acrescenta Duarte.

Muita vitamina, reunida em sua composição, fortalece os músculos e estica os tentáculos para novas fronteiras. “O hot melt é utilizado para várias aplicações e a tendência é o aumento do consumo em função da rapidez, performance,  rendimento e produtividade que o adesivo fornece aos processos”, conta Márcio Lino de Souza, gerente de tecnologia de adesivos da Killing. Evelin Sampaio, analista química da Brascola, evidencia um interessante pensamento: “Quando falamos na necessidade de maior qualidade de vida em relação ao ambiente e à saúde do trabalhador, não podemos pensar para o futuro, mas agora. Podemos ver a crescente procura por hot melt por diversos segmentos industriais, como moveleiro, alimentício, gráfico, naval, aeronáutico, automobilístico, eletroeletrônico, entre outros”, mostra Evelin.

Direcionada para as indústrias de bebidas e alimentos, a Krones está fixada no mundo das embalagens. “Na área de adesivos, os hot melts vêm crescendo no Brasil a uma média de 10% ao ano. Os adesivos hot melts são de valor inestimável para a tecnologia de rotulagem, particularmente para os rótulos envolventes e para algumas aplicações que requerem a garantia permanente de colagem”, esclarece Eduardo Junco, especialista em adesivos da Krones do Brasil.

Base-mãe ainda confiável e gratificante
Nascido no mundo das madeiras, o hot melt nunca abandonou a base-mãe. “Na indústria moveleira, a grande vantagem dos adesivos hot melts é a ausência de solventes de qualquer natureza, o que demanda tempo de secagem. Além disso, o adesivo hot melt é versátil, rápido e possibilita a colagem precisa de peças de dimensões em que há uma aplicação manual crítica, caso das bordas de portas, tampos de mesa, entre outros. Nas marcenarias o benefício vem com as soluções em adesivos de contato, que são amplamente utilizadas com inovações em sustentabilidade, como é o caso da Cascola sem o solvente toluol”, fala Carlos Motta, gerente de soluções para a indústria de embalagens da Henkel.

Para Evelin, da Brascola, as principais vantagens do adesivo, além da secagem rápida, são as ausências de solvente, alta produtividade, longo tempo de vida útil e a redução de custos com causas trabalhistas. Kosmiskas, da Adecol, destaca que a vantagem deve-se ao fato de ser um adesivo com 100% de não voláteis e que utiliza o calor como seu ‘solvente’ para torná-lo líquido na aplicação. Sendo o calor de ultra-rápida dispersão, o hot melt torna-se um adesivo de rápida fixação e, como conseqüência, facilita a operação de alta produtividade, requerendo pouco espaço para sua utilização. “Na indústria moveleira, em particular, destacamos a operação de acabamentos nas bordas de painéis, que são áreas pequenas e que em operações industriais são difíceis de serem prensadas. As coladeiras de bordos em conjunto com o hot melt vieram oferecer uma solução única e extremamente eficiente”, diz.

Milton Barreto, gerente-geral da Hexion, informa que o hot melt figura entre as três categorias de produtos que apresentam as maiores taxas de crescimento em caráter global. “Esses adesivos possuem a vantagem de serem formados por 100% de sólidos, não contendo solventes orgânicos em sua composição. Apresentam um tempo rápido de colagem e com shelf life acima de dois anos. Evidentemente, que somente adesivos bem formulados apresentam essa característica. A vantagem mais bem percebida pelo segmento madeireiro e moveleiro é o rápido processo de colagem em diferentes substratos”, completa.

De acordo com Mello, da Artecola, atualmente a indústria de móveis já utiliza grandes volumes de hot melt, pois empresas de médio ou grande portes têm equipamentos modernos que utilizam adesivos deste tipo. Porém, ainda de acordo com o gerente de aplicação, entre os marceneiros o volume ainda é pequeno devido à dependência de equipamentos para aplicação dos adesivos hot melt. Conforme explica Patrícia Gómez, coordenadora de mercado automotivo OES Sika Industry, a empresa tem experiência no mercado de fabricação de janelas de madeira e o uso do adesivo hot melt aumenta muito a produtividade, permitindo uma maior automatização da produção.         

Papel e embalagens, líderes natos
Os grandes consumidores do adesivo hot melt são os mercados de embalagens e de papel, principalmente porque o adesivo fornece rapidez e segurança. De acordo com Barreto, é nesse segmento que realmente os adesivos são mais empregados. “Hoje denominado papel, cartão e produtos relativos, entenda-se como non-woven, cigarros, entre outros, representa 46% de tudo que se emprega de adesivos no mundo”, avalia o gerente-geral da Hexion. Para Duarte os segmentos de alimentos prontos, produtos congelados e também o de cosméticos despontam como os mais promissores em termos de taxa de crescimento.

A primeira impressão - ótima, por sinal - perdura até hoje na relação hot melt papel e embalagem. “Esse foi o segmento que primeiro se adaptou a essa nova tecnologia, em função da necessidade de alta produtividade e evidentemente o crescimento continua não só na área de embalagens como em outros segmentos do mercado, por exemplo, as indústrias naval, aeronáutica, automobilística, eletroeletrônica e outras”, fala Evelin.

Batista diz que o investimento da Amazonas Quimicam é pesado: “Recentemente contratamos mais pessoas para o nosso setor de desenvolvimento e adquirimos equipamentos para atender a crescente demanda desta linha. Além disso, estruturamos a nossa equipe comercial para atender o mercado de embalagens. Prova disso é que acabamos de participar como expositores da última Fispal, mostrando que a Quimicam está investindo pesado neste segmento, assim como fez em móveis.”

O diretor técnico da Adecol discorda da afirmação de que em 2005 muitos fabricantes de adesivos não apostavam no hot melt. “É uma colocação restrita e talvez ligada à percepção da perspectiva da economia brasileira, visto que o conceito de hot melt está intimamente ligado à alta produção e a equipamentos de alto desempenho. A Adecol aposta e investe no hot melt há mais de 20 anos. Considerando os coatings hot melts, revestimentos aplicados com a técnica hot melt termosseláveis ou não e os adesivos propriamente ditos podemos dizer que o segmento de papel e embalagem é o maior consumidor de hot melt, pois neste foco devemos considerar a indústria de caixas de papelão, cartuchos, embalagens termosseláveis, livros e envelopes”, fala Kosmiskas.
Motta, da Henkel, concorda somente com a afirmação de que os mercados de embalagem e de papel são os maiores consumidores - se consideradas embalagens mais artes gráficas. “Temos grande aplicação também no campo de higiênicos descartáveis, onde a cada dia vemos novos aperfeiçoamentos nos sistema de aplicação”, conclui.

(Pen) última tecnologia
Incessante na arte de inovar, a indústria de adesivos e selantes mira o melhor desempenho final. Ultimamente quem dá as cartas no segmento de hot melt são os conhecidos como reativos (PUR). “O hot melt reativo pode ser considerado, ainda, como a última tecnologia, mesmo porque ainda não foi explorado em toda a sua potencialidade. Por exemplo, deverá chegar o hot melt de pega permanente, bem como ser expandido para todos os segmentos de mercado com barateamento dos equipamentos aplicadores. Também podemos considerar como tecnologia recente novos polímeros base para hot melt, que permitem melhoras substanciais de suas propriedades”, comenta Kosmiskas, da Adecol.

Há quem defenda que o PUR não seja a última tecnologia explorada. “A Sika lançou a linha de hot melts reativos base APAO (poliolefínicos), cujas vantagens em comparação com os hot melts reativos são a adesão a substratos não polares, como PP, PE sem tratamento de superfície (corona, chama ou plasma), excelente flexibilidade, isenção de isocianatos e menor densidade, em torno de 30%. Já em comparação com os hot melts não reativos (base química polímeros termoplásticos) tem como principal vantagem maior resistência a temperaturas”, justifica Patrícia.

Atuando nos segmentos madeireiro e moveleiro, papel e embalagem, construção civil, operações de montagens, entre outros, a Hexion comercializa adesivos hot melt para todos os segmentos. “Essa é uma tecnologia importante, pois supre uma das debilidades dos adesivos hot melts, os quais, por serem termoplásticos, fazem com que as colagens não apresentem resistência a altas temperaturas. Os adesivos hot melts PUR, por serem reticuláveis, tornam as colagens mais resistentes a altas temperaturas”, observa Barreto, acrescentando que o crescimento global desses  adesivos está na ordem de 4,5% a 5% ao ano, enquanto os adesivos em geral cresceram 3,5% nos últimos três anos.

Motta expõe sua opinião: “O PUR Dual Cure, que sofre uma primeira reticulação ao passar por luz ultravioleta e termina sua cura com a umidade presente no processo, é uma das mais recentes tecnologias disponíveis. Outra é o PUR de baixíssima emissão de monômeros livres. A Henkel está lançando no mercado brasileiro dois adesivos hot melts poliuretânicos especiais para o ramo das artes gráficas. O primeiro é o Purmelt Dual Cure, um adesivo poliuretânico quem tem sua cura inicial acelerada por luz UV, reduzindo o tempo de espera em até 98%. Outro produto de destaque é o Purmelt Microemission, um adesivo hot melt poliuretânico de reduzidíssima quantidade de monômeros livres”, fala.

O equipamento também interfere no mundo dos adesivos hot melts. “Hoje o adesivo PUR já é conhecido de alguns segmentos, sendo que o maior impedimento para o adesivo PUR é o equipamento aplicador específico. Já existem tecnologias em adesivos mais novas que o hot melt de PUR, mas ainda não tão difundidas e testadas como o hot melt de POR, um adesivo hot melt reativo à base de poliolefina. Há também o adesivo hot melt de PUR com baixo teor de NCO, entre outros”, fala Mello.

Os adesivos de base de poliolefinas podem, de acordo com Duarte, ser uma boa aposta de futuro, inclusive substituindo algumas aplicações onde o PUR atua com sucesso. Ainda de acordo com o gerente de marketing e vendas da 3M, a facilidade de se utilizar um equipamento aplicador padrão com custos de implantação mais baixos e menores custos de manutenção podem auxiliar neste processo.

Também para Batista a última tecnologia foi o PUR e a Quimicam, que já possui o hot melt, está finalizando os testes para poder lançá-lo no mercado o quanto antes. O gerente de tecnologia adesivo da Killing observa que o PUR pode ser utilizado na fixação de saltos na indústria de calçados, quando se trabalha com um salto alto ou transparente.

De maneira geral, as novidades apontam para o surgimento de gerações ainda mais modernas de adesivos, que prometem maior rendimento nas aplicações, como a cola Krones Colfix Mega S, indicada para o fechamento de caixas e cartuchos de alimentos congelados, com rendimento de 15% a 30% superior a outros tipos de colas comuns. "A melhora deve-se a fatores como menor densidade e colagem eficiente sobre distintos tipos de superfície. Além disso, não carboniza durante os processos de aplicação", afirma Junco.

Volume de vendas
Por mais que o hot melt seja considerado o camaleão dos adesivos, sempre há um foco específico de atuação. “Hoje nosso foco é embalagem, mas existem outros projetos para abrir novos mercados, como a indústria naval, aeronáutica, automobilística, eletroeletrônica e outras”, antecipa Evelin, acrescentando que o volume de vendas cresce lentamente, na faixa de 5% a 10% ao ano.

A junção das características é responsável por sua versatilidade. “Por serem versáteis, econômicos, isentos de solventes orgânicos entre outras propriedades, os adesivos hot melts encontram aplicações nos mais diversos setores industriais, seja na produção de bens duráveis ou na de bens de consumo. A indústria automobilística é uma grande usuária, assim como a moveleira, de embalagens, gráfica e de higiênicos descartáveis. A Henkel atua em todos estes campos com adesivos hot melt específicos para cada aplicação. Um ponto a se considerar é o número de novos equipamentos entrantes no mercado. Por outro lado, a troca de equipamentos antigos por equipamentos mais modernos e a maior consciência por parte dos usuários com a manutenção dos mesmos têm contribuído para um aumento no rendimento por quilo do produto. A substituição de adesivos convencionais por PUR também contribui para uma redução, já que esta tecnologia assim o permite”, detalha Motta.

Na Sika, tratando-se de faturamento, o crescimento é de 33% em comparação ao mesmo período de 2006. “A competitividade global obrigou os nossos clientes a procurarem soluções para reduzir os seus custos de produção e ao mesmo tempo aumentar a qualidade dos seus produtos. Os adesivos hot melts, com cura rápida, alta confiabilidade e amplo espectro de adesividade, ajudaram estes fabricantes a atingirem uma competitividade maior”, completa Patrícia.

A 3M foca sua linha de adesivos hot melts nos mercados de fechamento de embalagens em geral - alimentos e bebidas, higiene e limpeza, farmacêutico e cosmético -, além dos próprios fabricantes de embalagens. “Além disso, também atuamos no mercado automotivo com produtos especiais, como itens para colagens de plásticos de difícil adesão ou aplicações que exijam alta resistência à temperatura. Nos últimos três anos temos experimentado um volume crescente de vendas nos segmentos já citados, de 10% a 15%”, define Duarte.

A Adecol atua com hot melt no mercado de embalagem, encadernação, moveleiro, envelopes, rotulagem e componentes automotivos. A mira da empresa está direcionada ao segmento de descartáveis, o próximo alvo. “O volume de vendas de hot melt total no Brasil, por falta de uma associação que congregue os fabricantes, importadores e produtores de insumos, é um número difícil de avaliar. Considerando o aumento do número de fabricantes de equipamentos aplicadores e de produtores de adesivos, podemos estimar que o volume dobrou nos últimos cinco anos”, calcula Kosmiskas. Para a Artecola a diferença de crescimento foi significativa: “Crescemos 15% sobre o ano passado. O Grupo Artecola conta com plantas no Brasil e no exterior, situação que favorece a competitividade frente a variações cambiais. Mas em tempos de dólar baixo sabe-se que o mercado se movimenta com tendência de crescimento nas importações”, frisa Mello.

Como seu poder é grande, os investimentos precisam ser constantes. “A Quimicam está investindo em todos os setores. No segmento de móveis, procuramos manter a nossa grande participação nesta linha, e em outras, por meio de pesquisas, evoluímos a cada momento. Isto nos permite manter uma excelente participação neste mercado. Investimos pesado nos mercados de embalagem, gráfico, higiênico e de rotulagem”, explica Batista.

Explorar suas vantagens ainda é o caminho que precisa ser percorrido para, conseqüentemente, aumentar o volume de vendas. “Recomendo que os clientes procurem explorar melhor as vantagens dos adesivos hot melts e trabalhem com produtos que não se degradem facilmente, pois podem danificar os equipamentos de aplicação e tanques de fusão. Para isso é fundamental que empreguem adesivos que apresentem estabilidade durante o processo de fusão e, evidentemente, apresentem uma boa performance de colagem”, explica Barreto.

 
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