Em
reportagem passada, Adesivos & Selantes
encontrou opiniões que apostavam no hot melt
como um adesivo de futuro. Isso é passado.
Hoje ele já não é encarado como
um produto de futuro; ele é um dos que anteciparam
o futuro. Graças à sua versatilidade
e capacidade de transitar em uma vasta gama de segmentos,
o hot melt inverteu o raciocínio lógico:
se era encarado como um adesivo com futuro brilhante,
agora quem precisa se adaptar ao novo é o
profissional que lida com o adesivo.
Já é sabido
que sua presença é bem-vinda em vários
mercados. Futurístico é trabalhar sua
composição
para aumentar seu poder de ação e,
conseqüentemente,
conquistar novos nichos de mercado.
No
Brasil, o adesivo nasceu no início da década
de 70 - lá fora
já vinha sendo trabalhado. Não se pode
negar que para alcançar
diversos mercados sua base-mãe foi o mercado
moveleiro. “Como o
adesivo hot melt está intimamente ligado
ao equipamento aplicador e, considerando-se que naquela época
a produção local de aplicadores
era pequena e as dificuldades para importação
e a instabilidade econômica eram fatores de
restrição, houve limitação
do mercado de hot melt naquela época”,
relembra Sérgio Kosmiskas,
diretor técnico da Adecol, sem esquecer o
presente: “Atualmente
a estabilidade econômica, facilidade de importação
e um grande número de fabricantes de equipamentos
aplicadores levam à expansão
da utilização do hot melt. A indústria
de pequeno porte, incluídos os usos artesanal
e doméstico, por meio de pistolas manuais
de aplicações de hot melt, contribui
para o avanço do adesivo”,
completa.
Conforme
Jardel Mello, gerente de aplicação
da Artecola, as empresas de maior visão e
conhecimento do mercado apostavam e tinham conhecimento
de que o consumo de hot melt iria aumentar e continuar
assim, como ocorre atualmente. “Sempre
que se automatiza uma operação, utilizam-se
equipamentos modernos que, por sua vez, geralmente
utilizam hot melt pela possibilidade de altíssimas
velocidades de produção. Como em todos
os mercados, tivemos os pioneiros, os que logo seguiram
a tendência e os que estão se adaptando à medida
que uma tecnologia se consolida”, conta Mello.
De
acordo com Ivan Batista, marketing da Amazonas Quimicam,
há 14 anos
a empresa desenvolve o produto. “Nos últimos
anos a demanda aumentou significativamente e os principais
mercados são embalagens e móveis”,
lista Batista. Na opinião de Luiz Henrique
Duarte, gerente de marketing e vendas 3M, o futuro
não está tão distante assim. “Para
a 3M o futuro já começou há anos,
quando se iniciou internamente uma busca por aumento
de portfólio de linhas de adesivos hot melt,
como as formulações à base de
EVA, copolímeros blocados
ou mesmo a tendência do PUR”, acrescenta
Duarte.
Muita
vitamina, reunida em sua composição,
fortalece os músculos
e estica os tentáculos para novas fronteiras. “O
hot melt é utilizado
para várias aplicações e a tendência é o
aumento do consumo em função da rapidez,
performance, rendimento
e produtividade que o adesivo fornece aos processos”,
conta Márcio
Lino de Souza, gerente de tecnologia de adesivos
da Killing. Evelin Sampaio, analista química
da Brascola, evidencia um interessante pensamento: “Quando
falamos na necessidade de maior qualidade de vida
em relação ao
ambiente e à saúde do trabalhador,
não podemos pensar para
o futuro, mas agora. Podemos ver a crescente procura
por hot melt por diversos segmentos industriais,
como moveleiro, alimentício, gráfico,
naval, aeronáutico, automobilístico,
eletroeletrônico, entre outros”,
mostra Evelin.
Direcionada
para as indústrias
de bebidas e alimentos, a Krones está fixada
no mundo das embalagens. “Na área de
adesivos, os hot melts vêm
crescendo no Brasil a uma média de 10% ao
ano. Os adesivos hot melts são
de valor inestimável para a tecnologia de
rotulagem, particularmente para os rótulos
envolventes e para algumas aplicações
que requerem a garantia permanente de colagem”,
esclarece Eduardo Junco, especialista em adesivos
da Krones do Brasil.
Base-mãe ainda confiável
e gratificante
Nascido no mundo das madeiras, o hot melt nunca
abandonou a base-mãe. “Na indústria
moveleira, a grande vantagem dos adesivos hot melts é a
ausência de solventes de qualquer natureza,
o que demanda tempo de secagem. Além disso,
o adesivo hot melt é versátil, rápido
e possibilita a colagem precisa de peças
de dimensões em que há uma aplicação
manual crítica, caso das bordas de portas,
tampos de mesa, entre outros. Nas marcenarias o
benefício vem com as soluções
em adesivos de contato, que são amplamente
utilizadas com inovações em sustentabilidade,
como é o caso da Cascola sem o solvente
toluol”, fala Carlos Motta, gerente de soluções
para a indústria de embalagens da Henkel.
Para
Evelin, da Brascola, as principais vantagens do
adesivo, além da secagem rápida,
são as ausências de solvente, alta produtividade,
longo tempo de vida útil e a redução
de custos com causas trabalhistas. Kosmiskas, da
Adecol, destaca que a vantagem deve-se ao fato de
ser um adesivo com 100% de não voláteis
e que utiliza o calor como seu ‘solvente’ para
torná-lo líquido na aplicação.
Sendo o calor de ultra-rápida dispersão,
o hot melt torna-se um adesivo de rápida fixação
e, como conseqüência, facilita a operação
de alta produtividade, requerendo pouco espaço
para sua utilização. “Na indústria
moveleira, em particular, destacamos a operação
de acabamentos nas bordas de painéis, que
são áreas pequenas e que em operações
industriais são difíceis de serem prensadas.
As coladeiras de bordos em conjunto com o hot melt
vieram oferecer uma solução única
e extremamente eficiente”, diz.
Milton
Barreto, gerente-geral da Hexion, informa que o
hot melt figura entre as três categorias
de produtos que apresentam as maiores taxas de crescimento
em caráter global. “Esses adesivos possuem
a vantagem de serem formados por 100% de sólidos,
não contendo solventes orgânicos em
sua composição. Apresentam um tempo
rápido de colagem e com shelf life acima de
dois anos. Evidentemente, que somente adesivos bem
formulados apresentam essa característica.
A vantagem mais bem percebida pelo segmento madeireiro
e moveleiro é o rápido processo de
colagem em diferentes substratos”, completa.
De
acordo com Mello, da Artecola, atualmente a indústria
de móveis já utiliza grandes volumes
de hot melt, pois empresas de médio ou grande
portes têm equipamentos modernos que utilizam
adesivos deste tipo. Porém, ainda de acordo
com o gerente de aplicação, entre os
marceneiros o volume ainda é pequeno devido à dependência
de equipamentos para aplicação dos
adesivos hot melt. Conforme explica Patrícia
Gómez, coordenadora de mercado automotivo
OES Sika Industry, a empresa tem experiência
no mercado de fabricação de janelas
de madeira e o uso do adesivo hot melt aumenta muito
a produtividade, permitindo uma maior automatização
da produção.
Papel
e embalagens, líderes
natos
Os grandes consumidores do adesivo hot melt são
os mercados de embalagens e de papel, principalmente
porque o adesivo fornece rapidez e segurança.
De acordo com Barreto, é nesse segmento que
realmente os adesivos são mais empregados. “Hoje
denominado papel, cartão e produtos relativos,
entenda-se como non-woven, cigarros, entre outros,
representa 46% de tudo que se emprega de adesivos
no mundo”, avalia o gerente-geral da Hexion.
Para Duarte os segmentos de alimentos prontos, produtos
congelados e também o de cosméticos
despontam como os mais promissores em termos de taxa
de crescimento.
A
primeira impressão - ótima,
por sinal - perdura até hoje na relação
hot melt papel e embalagem. “Esse foi o segmento
que primeiro se adaptou a essa nova tecnologia, em
função da necessidade de alta produtividade
e evidentemente o crescimento continua não
só na área de embalagens como em outros
segmentos do mercado, por exemplo, as indústrias
naval, aeronáutica, automobilística,
eletroeletrônica e outras”, fala Evelin.
Batista
diz que o investimento da Amazonas Quimicam é pesado: “Recentemente
contratamos mais pessoas para o nosso setor de desenvolvimento
e adquirimos equipamentos para atender a crescente
demanda desta linha. Além disso, estruturamos
a nossa equipe comercial para atender o mercado de
embalagens. Prova disso é que acabamos de
participar como expositores da última Fispal,
mostrando que a Quimicam está investindo pesado
neste segmento, assim como fez em móveis.”
O
diretor técnico da Adecol discorda da afirmação
de que em 2005 muitos fabricantes de adesivos não
apostavam no hot melt. “É uma colocação
restrita e talvez ligada à percepção
da perspectiva da economia brasileira, visto que
o conceito de hot melt está intimamente ligado à alta
produção e a equipamentos de alto desempenho.
A Adecol aposta e investe no hot melt há mais
de 20 anos. Considerando os coatings hot melts, revestimentos
aplicados com a técnica hot melt termosseláveis
ou não e os adesivos propriamente ditos podemos
dizer que o segmento de papel e embalagem é o
maior consumidor de hot melt, pois neste foco devemos
considerar a indústria de caixas de papelão,
cartuchos, embalagens termosseláveis, livros
e envelopes”, fala Kosmiskas.
Motta, da Henkel, concorda somente com a afirmação
de que os mercados de embalagem e de papel são
os maiores consumidores - se consideradas embalagens
mais artes gráficas. “Temos grande aplicação
também no campo de higiênicos descartáveis,
onde a cada dia vemos novos aperfeiçoamentos
nos sistema de aplicação”, conclui.
(Pen) última
tecnologia
Incessante
na arte de inovar, a indústria
de adesivos e selantes mira o melhor desempenho final.
Ultimamente quem dá as cartas no segmento
de hot melt são os conhecidos como reativos
(PUR). “O hot melt reativo pode ser considerado,
ainda, como a última tecnologia, mesmo porque
ainda não foi explorado em toda a sua potencialidade.
Por exemplo, deverá chegar o hot melt de pega
permanente, bem como ser expandido para todos os
segmentos de mercado com barateamento dos equipamentos
aplicadores. Também podemos considerar como
tecnologia recente novos polímeros base para
hot melt, que permitem melhoras substanciais de suas
propriedades”, comenta Kosmiskas, da Adecol.
Há quem
defenda que o PUR não seja
a última tecnologia explorada. “A Sika
lançou a linha de hot melts reativos base
APAO (poliolefínicos), cujas vantagens em
comparação com os hot melts reativos
são a adesão a substratos não
polares, como PP, PE sem tratamento de superfície
(corona, chama ou plasma), excelente flexibilidade,
isenção de isocianatos e menor densidade,
em torno de 30%. Já em comparação
com os hot melts não reativos (base química
polímeros termoplásticos) tem como
principal vantagem maior resistência a temperaturas”,
justifica Patrícia.
Atuando
nos segmentos madeireiro e moveleiro, papel e embalagem,
construção civil, operações
de montagens, entre outros, a Hexion comercializa
adesivos hot melt para todos os segmentos. “Essa é uma
tecnologia importante, pois supre uma das debilidades
dos adesivos hot melts, os quais, por serem termoplásticos,
fazem com que as colagens não apresentem resistência
a altas temperaturas. Os adesivos hot melts PUR,
por serem reticuláveis, tornam as colagens
mais resistentes a altas temperaturas”, observa
Barreto, acrescentando que o crescimento global desses adesivos
está na ordem de 4,5% a 5% ao ano, enquanto
os adesivos em geral cresceram 3,5% nos últimos
três anos.
Motta
expõe sua opinião: “O PUR
Dual Cure, que sofre uma primeira reticulação
ao passar por luz ultravioleta e termina sua cura
com a umidade presente no processo, é uma
das mais recentes tecnologias disponíveis.
Outra é o PUR de baixíssima emissão
de monômeros livres. A Henkel está lançando
no mercado brasileiro dois adesivos hot melts poliuretânicos
especiais para o ramo das artes gráficas.
O primeiro é o Purmelt Dual Cure, um adesivo
poliuretânico quem tem sua cura inicial acelerada
por luz UV, reduzindo o tempo de espera em até 98%.
Outro produto de destaque é o Purmelt Microemission,
um adesivo hot melt poliuretânico de reduzidíssima
quantidade de monômeros livres”, fala.
O
equipamento também interfere no mundo dos
adesivos hot melts. “Hoje o adesivo PUR já é conhecido
de alguns segmentos, sendo que o maior impedimento
para o adesivo PUR é o equipamento aplicador
específico. Já existem tecnologias
em adesivos mais novas que o hot melt de PUR, mas
ainda não tão difundidas e testadas
como o hot melt de POR, um adesivo hot melt reativo à base
de poliolefina. Há também o adesivo
hot melt de PUR com baixo teor de NCO, entre outros”,
fala Mello.
Os
adesivos de base de poliolefinas podem, de acordo
com Duarte, ser uma boa aposta de futuro, inclusive
substituindo algumas aplicações onde
o PUR atua com sucesso. Ainda de acordo com o gerente
de marketing e vendas da 3M, a facilidade de se utilizar
um equipamento aplicador padrão com custos
de implantação mais baixos e menores
custos de manutenção podem auxiliar
neste processo.
Também
para Batista a última
tecnologia foi o PUR e a Quimicam, que já possui
o hot melt, está finalizando os testes para
poder lançá-lo no mercado o quanto
antes. O gerente de tecnologia adesivo da Killing
observa que o PUR pode ser utilizado na fixação
de saltos na indústria de calçados,
quando se trabalha com um salto alto ou transparente.
De
maneira geral, as novidades apontam para o surgimento
de gerações ainda mais modernas de
adesivos, que prometem maior rendimento nas aplicações,
como a cola Krones Colfix Mega S, indicada para o
fechamento de caixas e cartuchos de alimentos congelados,
com rendimento de 15% a 30% superior a outros tipos
de colas comuns. "A melhora deve-se a fatores
como menor densidade e colagem eficiente sobre distintos
tipos de superfície. Além disso, não
carboniza durante os processos de aplicação",
afirma Junco.
Volume
de vendas
Por mais que o hot melt seja
considerado o camaleão
dos adesivos, sempre há um foco específico
de atuação. “Hoje nosso foco é embalagem,
mas existem outros projetos para abrir novos mercados,
como a indústria naval, aeronáutica,
automobilística, eletroeletrônica e
outras”, antecipa Evelin, acrescentando que
o volume de vendas cresce lentamente, na faixa de
5% a 10% ao ano.
A
junção das características é responsável
por sua versatilidade. “Por serem versáteis,
econômicos, isentos de solventes orgânicos
entre outras propriedades, os adesivos hot melts
encontram aplicações nos mais diversos
setores industriais, seja na produção
de bens duráveis ou na de bens de consumo.
A indústria automobilística é uma
grande usuária, assim como a moveleira, de
embalagens, gráfica e de higiênicos
descartáveis. A Henkel atua em todos estes
campos com adesivos hot melt específicos para
cada aplicação. Um ponto a se considerar é o
número de novos equipamentos entrantes no
mercado. Por outro lado, a troca de equipamentos
antigos por equipamentos mais modernos e a maior
consciência por parte dos usuários com
a manutenção dos mesmos têm contribuído
para um aumento no rendimento por quilo do produto.
A substituição de adesivos convencionais
por PUR também contribui para uma redução,
já que esta tecnologia assim o permite”,
detalha Motta.
Na
Sika, tratando-se de faturamento, o crescimento é de
33% em comparação ao mesmo período
de 2006. “A competitividade global obrigou
os nossos clientes a procurarem soluções
para reduzir os seus custos de produção
e ao mesmo tempo aumentar a qualidade dos seus produtos.
Os adesivos hot melts, com cura rápida, alta
confiabilidade e amplo espectro de adesividade, ajudaram
estes fabricantes a atingirem uma competitividade
maior”, completa Patrícia.
A
3M foca sua linha de adesivos hot melts nos mercados
de fechamento de embalagens em geral - alimentos
e bebidas, higiene e limpeza, farmacêutico
e cosmético -, além dos próprios
fabricantes de embalagens. “Além disso,
também atuamos no mercado automotivo com produtos
especiais, como itens para colagens de plásticos
de difícil adesão ou aplicações
que exijam alta resistência à temperatura.
Nos últimos três anos temos experimentado
um volume crescente de vendas nos segmentos já citados,
de 10% a 15%”, define Duarte.
A
Adecol atua com hot melt no mercado de embalagem,
encadernação,
moveleiro, envelopes, rotulagem e componentes automotivos.
A mira da empresa está direcionada ao segmento
de descartáveis,
o próximo alvo. “O volume de vendas
de hot melt total no Brasil, por falta de uma associação
que congregue os fabricantes, importadores e produtores
de insumos, é um número difícil
de avaliar. Considerando o aumento do número
de fabricantes de equipamentos aplicadores e de produtores
de adesivos, podemos estimar que o volume dobrou
nos últimos cinco anos”, calcula Kosmiskas.
Para a Artecola a diferença de crescimento
foi significativa: “Crescemos 15% sobre o ano
passado. O Grupo Artecola conta com plantas no Brasil
e no exterior, situação que favorece
a competitividade frente a variações
cambiais. Mas em tempos de dólar baixo sabe-se
que o mercado se movimenta com tendência de
crescimento nas importações”,
frisa Mello.
Como
seu poder é grande, os investimentos
precisam ser constantes. “A Quimicam está investindo
em todos os setores. No segmento de móveis,
procuramos manter a nossa grande participação
nesta linha, e em outras, por meio de pesquisas,
evoluímos a cada momento. Isto nos permite
manter uma excelente participação neste
mercado. Investimos pesado nos mercados de embalagem,
gráfico, higiênico e de rotulagem”,
explica Batista.
Explorar
suas vantagens ainda é o
caminho que precisa ser percorrido para, conseqüentemente,
aumentar o volume de vendas. “Recomendo que
os clientes procurem explorar melhor as vantagens
dos adesivos hot melts e trabalhem com produtos que
não se degradem facilmente, pois podem danificar
os equipamentos de aplicação e tanques
de fusão. Para isso é fundamental que
empreguem adesivos que apresentem estabilidade durante
o processo de fusão e, evidentemente, apresentem
uma boa performance de colagem”, explica Barreto.
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