Brasil, 22 de Novembro de 2008 Busca por notícias:
Sumário
Na cola da lombada
 

As colas para indústria gráfica mostram que não adianta ter uma boa idéia se não conseguir colar seu conteúdo.

 
Fábio Sabbag
 

Amplamente utilizadas na produção de livros e revistas, as colas agregam charme e requinte ao impresso final. Nitidamente um trabalho com lombada canoa e grampo a cavalo é, pelo menos visualmente, inferior àquele com acabamento quadrado.

Ultimamente no universo gráfico, constantes pesquisas, com o intuito de aliar produtividade, qualidade e custo competitivo, são realizadas no desenvolvimento de novas tecnologias. Mesmo responsáveis por somente 1% no custo total de um produto impresso, as colas, quando mal empregadas, podem comprometer seriamente a imagem do impresso. Imaginem então quando o adesivo passa a ser utilizado na composição de uma embalagem. “A busca constante pela qualidade e performance fez com que a Quimicam buscasse alternativas para atender a esse mercado tão técnico, o que permitiu o desenvolvimento de novos produtos, e outros estão a caminho. A indústria gráfica cresce a cada ano e o mais importante é que se profissionaliza, adquire equipamentos modernos e com tecnologia de ponta. Temos que acompanhar essa evolução com adesivos que atendam a essa evolução”, acredita Ivan Batista gerente de marketing da Amazonas Quimicam. Após a aquisição da Addax, a Artecola incrementou sua linha de produtos para a indústria gráfica. “A linha da Artecola possui produtos para lombada de livros e revistas em diversas cores de acabamento e com diversas especificações, sendo uma para cada tipo de aplicação e equipamentos existentes. Um exemplo é a linha de adesivo PVA para sistema two-shot. Possuímos ainda produtos PUR com tecnologia do parceiro tecnológico da Artecola, a empresa Forbo”, explica Fernando Cardoso, supervisor de vendas do mercado de papel e embalagem no Sudeste.

A alternativa encontrada pela National Adhesives foi investir na produção local de adesivos. “Além da produção local de PUR desde agosto de 2005 e adesivos base água desde fevereiro de 2005, a National iniciou em março de 2007 a produção, em Jundiaí, São Paulo, de hot melts para aplicações na indústria gráfica. A produção local de adesivos, além de tornar os preços mais competitivos, permite a adequação dos produtos à necessidade específica de nossos clientes”, frisam Alexandre Pincelli, gerente de contas bookbinding, e Leandro Padovani, diretor de vendas adesivos da National.

Investimentos incessantes é ordem dentro da Henkel. A Henkel mundialmente investe 3% de seu faturamento diretamente em pesquisa e desenvolvimento, o que permite que o lançamento de produtos e tecnologias aconteça simultaneamente em todas os países onde a empresa atua.

No ano de 2006 a Henkel lançou um desafio mundial a todos os seus colaboradores com o chamado ‘Ano da Inovação’. O programa consiste na participação dos 52 mil funcionários visando a concepção de novos produtos e formas de trabalho.

“Como exemplo de linha de produto onde se pode destacar essa evolução citamos o Purmelt Micro Emission, utilizado pela indústria gráfica na encadernação de diversos produtos, como livros, catálogos, guias, entre outros. Possui emissão de monômeros de isocianato próxima a zero, afastando riscos à saúde dos operadores de equipamentos. Outra tecnologia destacada é o novo Purmelt Dual Cure, com cura ultravioleta, possibilitando o arredondamento de lombadas em linha e manuseio imediato após a finalização do processo de encadernação, antes não permitido pelas tecnologias existentes”, acentua Martin Lajus, gerente regional de vendas da área de comunicações gráficas.

Já a 3M do Brasil foca sua atuação no segmento gráfico nas aplicações para fabricação de embalagens papel cartão e envelopes tanto em papel como plástico. “No segmento editorial temos disponível a linha de adesivos PUR para blocagem, importada da matriz nos Estados Unidos. Dispomos de alguns adesivos hot melt base EVA que também atendem à aplicação de blocagem”, coloca Luiz Henrique Duarte, gerente de vendas e marketing - fitas e adesivos industriais da 3M do Brasil.

Conhecimento técnico
Gráfico, por essência, domina a arte de imprimir. Muitas vezes os processos de acabamento e utilização de insumos apropriados carecem de um olhar mais apurado. “A Henkel tem trabalhado constantemente na divulgação correta da utilização dos adesivos para indústria gráfica juntamente com algumas entidades, como o Senai, entre outras, visando um aprimoramento técnico dos usuários finais, tendo como resultado principal a avaliação custo/benefício, demonstrando que os avanços tecnológicos se destacam em relação ao preço por si só. O custo do adesivo em relação ao produto acabado é inferior a 1% quando corretamente utilizado. Um adesivo não customizado para a aplicação pode gerar perdas superiores a 100% do custo do produto final, além da perda de credibilidade perante o cliente final”, defende o gerente regional de vendas da área de comunicações gráficas.

Culturalmente, dentro das gráficas, a relação preço é passível de críticas e análises mais criteriosas. Não é incomum, aos fornecedores, deparar com ‘disputas’ onde somente o custo é o mandante. “Por meio da maior utilização do PUR e de adesivos de alto desempenho a análise do preço tem cedido lugar para o custo/beneficio, pois outros custos indiretos, como manutenção, não qualidade e devoluções, passaram a ser considerado. Adesivos de melhor qualidade, que proporcionam propriedades diferenciadas ao produto acabado e suporte técnico e treinamento intensivo durante sua utilização passaram a ter valor reconhecido nas negociações comerciais”, dizem Pincelli e Padovani, da National.

Na opinião do gerente de marketing da Amazonas Quimicam, mesmo que ainda existam casos isolados, como em todo o mercado, é notável a profissionalização do setor. Duarte observa que a maioria dos segmentos industriais tem buscado redução de custo de seus insumos como forma de competição tanto interna quanto externa. “Os fabricantes de adesivos, a nosso ver, também são atingidos por essa tendência, sendo estimulados a buscarem novas alternativas de matérias-primas a fim de proporcionar redução de custo no processo produtivo do cliente. Porém, muitas vezes, essa aparente redução no preço do adesivo pode levar a problemas futuros, como maiores gastos com manutenção dos equipamentos aplicadores. A 3M, assim como outras empresas importantes do setor de adesivos, tenta evidenciar e apresentar soluções que em longo prazo sejam produtivas aos diversos segmentos”, acrescenta o gerente de vendas e marketing – fitas e adesivos industriais.

A crescente profissionalização do setor também é observada por Cardoso, da Artecola. “A profissionalização do setor gráfico vem se acentuando ano a ano, principalmente com os profissionais vindos dos cursos técnicos, bem como com engenheiros e outros profissionais com curso superior. Essa profissionalização contribui para a mudança de certos paradigmas na indústria, a exemplo da importância do preço dos adesivos. Em um segmento muito competitivo como o setor gráfico, o preço é importante no momento da escolha dos fornecedores de insumos. Entretanto os profissionais do setor gráfico, cada vez mais estão analisando o custo e não somente o preço. Dessa forma, a análise passa por outros aspectos, como o rendimento e performance do adesivo. Analisando os adesivos desta nova forma, o setor não verifica apenas o preço direto do adesivo, mas a análise do custo/benefício. Nesse sentido, a Artecola possui em sua linha diversos produtos para atender a indústria gráfica, sempre com preços e custos adequados”, reforça.

Adesivos da moda
Toda indústria cria seus modismos; na gráfica não é diferente. Há quem consiga manter a posição de liderança, outros que afundam com o avanço da tecnologia e também os que brigam nas posições intermediárias. “Os adesivos hot melt ainda são os mais utilizados, porém em aplicações especiais, como embalagens transparentes e publicações que necessitam de alta resistência ao manuseio e ao calor, Já os PUR têm despontado como solução técnica a um custo muito competitivo”, avaliam Pincelli e Padovani.

Batista fala que, além dos hot melts, os PVAs (cola branca) também são bastante explorados. Para Duarte, da 3M, esse tipo de adesivo ainda é o maior percentual em termos de volume físico. “Na seqüência, poderíamos citar os adesivos hot melt e adesivos PUR, este último em franca expansão desde a década passada em função dos benefícios finais que proporciona”, acrescenta.

Base aquosa também é utilizada em grande número nas gráficas. “Mas o destaque fica mesmo com os adesivos hot melt e os adesivos PUR. Dentre os adesivos hot melts destacam-se os destinados à aplicação em lombada quadrada de livros e revistas, bem como os adesivos utilizados nas laterais desses materiais. Porém, os adesivos PUR vêm ganhando cada vez mais espaço dentro das gráficas. Dessa forma, esse deve ser o tipo de adesivo que deve ter o maior crescimento nas gráficas nos próximos anos. Nesse sentido os adesivos PUR têm tido muita atenção da Artecola”, avalia Cardoso. Quando o assunto é resultado superior, na opinião de Lajus, a tecnologia PUR é superior em durabilidade e resistência.

Representatividade total
É complicado, especificamente no Brasil, mensurar exatamente quanto e qual é o real tamanho do mercado de adesivos. Carecemos ainda de estudos mais segmentados e números mais bem claros sobre algumas quantias. Em mãos, números e dados de determinados setores poderiam rapidamente, desde que levantados com imparcialidade, gerar lucro. Por outro lado é válido o esforço dos profissionais na tentativa de trazer aos leitores um conhecimento maior. “Considerando-se a fabricação de livros e revistas apenas, pode-se dizer que o consumo de adesivos para lombada e lateral ultrapassa mil toneladas ao ano”, contam Pincelli e Padovani.

Na visão de Duarte, as indústrias de papel, embalagens e segmentos afins representam em torno de 35% a 40% do mercado total de adesivos, sendo a fatia mais representativa de um mercado avaliado entre US$ 450 milhões e US$ 500 milhões. Para Cardoso, é difícil mensurar o volume consumido pela indústria gráfica no Brasil, pois não existem entidades que fazem esse tipo de levantamento. “Quanto à representatividade dos adesivos para a indústria gráfica no mercado total de adesivos, acreditamos ser de 10% a 15% do total de adesivos comercializados no Brasil”, avalia.

Novidades para 2007
Na busca do novo é que se descobrem caminhos diferenciados. No campo da cola, a idéia precisa ser buscada. “A Artecola, sempre com foco em inovações, traz principalmente ao mercado do Sudeste os adesivos PUR. Utilizando-se da penetração da recém-adquirida Addax, a empresa está pronta para entregar a seus clientes adesivos com essa tecnologia. A Addax não possuía em sua linha de produtos adesivos com essa tecnologia. Dessa forma, mesmo sendo um anseio de seus clientes não era possível a entrega dessa tecnologia aos clientes. Nesse sentido observa-se a sinergia e força que o grupo Artecola ganhou com essa aquisição no Sudeste do Brasil”, diz Cardoso.

Na Quimicam os adesivos que mais evoluíram foram os hot melts, seguidos dos PVAs. “Sem dúvida os hot melts são os adesivos mais empregados nas gráficas, principalmente o PU reativo e a Quimicam vem desenvolvendo e pesquisando alternativas para esses hot melts PU reativo. Os PVAs também vêm num ritmo de desenvolvimento acelerado. As novidades são os hot melts PU reativo, que nem são tão novos, mas que em termos de evolução são os que mais têm contribuído para o crescimento da indústria gráfica”, informa o gerente de marketing da Amazonas Quimicam.
Lajus chama atenção para o fato de que a questão preço, visada pela maioria dos clientes, não é a única variável que possibilita o posicionamento do cliente no mercado, por isso a Henkel traz tecnologias e serviços diferenciados. A National, por sua vez, introduziu um adesivo PUR em baldes de 20 quilos ou barricas de dois quilos para colagem de embalagens transparentes. Já o PUR-FECT 34-475 permite a colagem de diversos substratos como PET, BOPP, PP e PVC, proporcionando um filme transparente e sem bolhas. Reduzir custos não significa redução dos preços dos adesivos utilizados.

“A utilização de adesivos com qualidade e desempenho diferenciados proporciona redução nos custos globais do processo, pois assegura a qualidade do produto final (desde que devidamente aplicados), permite aumento de produtividade (maiores velocidades de produção e tempos de cura reduzidos para os PUR) e redução das despesas de manutenção dos coleiros – maior estabilidade térmica minimiza a carbonização nos equipamentos e reduz seu desgaste”, pontuam Pincelli e Padovani.

 
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