Amplamente
utilizadas na produção
de livros e revistas, as colas agregam charme e requinte
ao impresso final. Nitidamente um trabalho com lombada
canoa e grampo a cavalo é, pelo menos visualmente,
inferior àquele com acabamento quadrado.
Ultimamente
no universo gráfico, constantes pesquisas,
com o intuito de aliar produtividade, qualidade e
custo competitivo, são realizadas no
desenvolvimento de novas tecnologias. Mesmo responsáveis
por somente 1% no custo total de um produto impresso,
as colas, quando mal empregadas, podem comprometer
seriamente a imagem do impresso. Imaginem então
quando o adesivo passa a ser utilizado na composição
de uma embalagem. “A
busca constante pela qualidade e performance fez
com que a Quimicam buscasse alternativas para atender
a esse mercado tão técnico, o que permitiu
o desenvolvimento de novos produtos, e outros estão
a caminho. A indústria
gráfica cresce a cada ano e o mais importante é que
se profissionaliza, adquire equipamentos modernos
e com tecnologia de ponta. Temos que acompanhar essa
evolução com adesivos que atendam a
essa evolução”,
acredita Ivan Batista gerente de marketing da Amazonas
Quimicam. Após
a aquisição da Addax, a Artecola incrementou
sua linha de produtos para a indústria gráfica. “A
linha da Artecola possui produtos para lombada de
livros e revistas em diversas cores de acabamento
e com diversas especificações, sendo
uma para cada tipo de aplicação
e equipamentos existentes. Um exemplo é a
linha de adesivo PVA para sistema two-shot. Possuímos
ainda produtos PUR com tecnologia do parceiro tecnológico
da Artecola, a empresa Forbo”, explica Fernando
Cardoso, supervisor de vendas do mercado de papel
e embalagem no Sudeste.
A
alternativa encontrada pela National Adhesives
foi investir na produção
local de adesivos. “Além da produção
local de PUR desde agosto de 2005 e adesivos base água
desde fevereiro de 2005, a National iniciou em março
de 2007 a produção, em Jundiaí,
São Paulo, de hot melts para aplicações
na indústria
gráfica. A produção local de
adesivos, além de tornar
os preços mais competitivos, permite a adequação
dos produtos à necessidade
específica de nossos clientes”, frisam
Alexandre Pincelli, gerente de contas bookbinding,
e Leandro Padovani, diretor de vendas adesivos da
National.
Investimentos
incessantes é ordem
dentro da Henkel. A Henkel mundialmente investe 3%
de seu faturamento diretamente em pesquisa e desenvolvimento,
o que permite que o lançamento de produtos
e tecnologias aconteça simultaneamente
em todas os países onde a empresa atua.
No
ano de 2006 a Henkel lançou um desafio mundial
a todos os seus colaboradores com o chamado ‘Ano
da Inovação’. O programa consiste
na participação dos 52 mil funcionários
visando a concepção
de novos produtos e formas de trabalho.
“Como
exemplo de linha de produto onde se pode destacar
essa evolução
citamos o Purmelt Micro Emission, utilizado pela
indústria gráfica
na encadernação de diversos produtos,
como livros, catálogos,
guias, entre outros. Possui emissão de monômeros
de isocianato próxima
a zero, afastando riscos à saúde dos
operadores de equipamentos. Outra tecnologia destacada é o
novo Purmelt Dual Cure, com cura ultravioleta, possibilitando
o arredondamento de lombadas em linha e manuseio
imediato após
a finalização do processo de encadernação,
antes não permitido pelas tecnologias existentes”,
acentua Martin Lajus, gerente regional de vendas
da área de comunicações gráficas.
Já a
3M do Brasil foca sua atuação no segmento
gráfico
nas aplicações para fabricação
de embalagens papel cartão e envelopes tanto
em papel como plástico. “No segmento
editorial temos disponível a linha de adesivos
PUR para blocagem, importada da matriz nos Estados
Unidos. Dispomos de alguns adesivos hot melt base
EVA que também atendem à aplicação
de blocagem”, coloca
Luiz Henrique Duarte, gerente de vendas e marketing
- fitas e adesivos industriais da 3M do Brasil.
Conhecimento
técnico
Gráfico, por essência, domina a arte
de imprimir. Muitas vezes os processos de acabamento
e utilização de insumos apropriados
carecem de um olhar mais apurado. “A Henkel
tem trabalhado constantemente na divulgação
correta da utilização dos adesivos
para indústria gráfica juntamente com
algumas entidades, como o Senai, entre outras, visando
um aprimoramento técnico dos usuários
finais, tendo como resultado principal a avaliação
custo/benefício, demonstrando que os avanços
tecnológicos se destacam em relação
ao preço por si só. O custo do adesivo
em relação ao produto acabado é inferior
a 1% quando corretamente utilizado. Um adesivo não
customizado para a aplicação pode gerar
perdas superiores a 100% do custo do produto final,
além da perda de credibilidade perante o cliente
final”, defende o gerente regional de vendas
da área de comunicações gráficas.
Culturalmente,
dentro das gráficas, a relação
preço é passível de críticas
e análises mais criteriosas. Não é incomum,
aos fornecedores, deparar com ‘disputas’ onde
somente o custo é o mandante. “Por
meio da maior utilização do PUR e de
adesivos de alto desempenho a análise do preço
tem cedido lugar para o custo/beneficio, pois outros
custos indiretos, como manutenção,
não qualidade e devoluções,
passaram a ser considerado. Adesivos de melhor qualidade,
que proporcionam propriedades diferenciadas ao produto
acabado e suporte técnico e treinamento intensivo
durante sua utilização passaram a ter
valor reconhecido nas negociações comerciais”,
dizem Pincelli e Padovani, da National.
Na
opinião
do gerente de marketing da Amazonas Quimicam, mesmo
que ainda existam casos isolados, como em todo o
mercado, é notável a
profissionalização do setor. Duarte
observa que a maioria dos segmentos industriais tem
buscado redução de custo de seus insumos
como forma de competição tanto interna
quanto externa. “Os fabricantes de adesivos,
a nosso ver, também são atingidos por
essa tendência, sendo estimulados a buscarem
novas alternativas de matérias-primas a fim
de proporcionar redução de custo no
processo produtivo do cliente. Porém, muitas
vezes, essa aparente redução no preço
do adesivo pode levar a problemas futuros, como maiores
gastos com manutenção dos equipamentos
aplicadores. A 3M, assim como outras empresas importantes
do setor de adesivos, tenta evidenciar e apresentar
soluções que em longo prazo sejam produtivas
aos diversos segmentos”, acrescenta o gerente
de vendas e marketing – fitas e adesivos industriais.
A
crescente profissionalização do setor
também é observada por Cardoso, da
Artecola. “A profissionalização
do setor gráfico vem se acentuando ano a ano,
principalmente com os profissionais vindos dos cursos
técnicos, bem como com engenheiros e outros
profissionais com curso superior. Essa profissionalização
contribui para a mudança de certos paradigmas
na indústria, a exemplo da importância
do preço dos adesivos. Em um segmento muito
competitivo como o setor gráfico, o preço é importante
no momento da escolha dos fornecedores de insumos. Entretanto
os profissionais do setor gráfico,
cada vez mais estão analisando o custo e não
somente o preço. Dessa forma, a análise
passa por outros aspectos, como o rendimento e performance
do adesivo. Analisando os adesivos desta nova forma,
o setor não verifica apenas o preço
direto do adesivo, mas a análise do custo/benefício.
Nesse sentido, a Artecola possui em sua linha diversos
produtos para atender a indústria gráfica,
sempre com preços e custos adequados”,
reforça.
Adesivos da moda
Toda indústria cria seus modismos; na gráfica
não é diferente. Há quem consiga
manter a posição de liderança,
outros que afundam com o avanço da tecnologia
e também os que brigam nas posições
intermediárias. “Os adesivos hot melt
ainda são os mais utilizados, porém
em aplicações especiais, como embalagens
transparentes e publicações que necessitam
de alta resistência ao manuseio e ao calor,
Já os PUR têm despontado como solução
técnica a um custo muito competitivo”,
avaliam Pincelli e Padovani.
Batista
fala que, além
dos hot melts, os PVAs (cola branca) também
são bastante explorados.
Para Duarte, da 3M, esse tipo de adesivo ainda é o
maior percentual em termos de volume físico. “Na
seqüência, poderíamos citar os
adesivos hot melt e adesivos PUR, este último
em franca expansão desde a década passada
em função dos benefícios finais
que proporciona”, acrescenta.
Base
aquosa também é utilizada
em grande número nas gráficas. “Mas
o destaque fica mesmo com os adesivos hot melt e
os adesivos PUR. Dentre os adesivos hot melts destacam-se
os destinados à aplicação em
lombada quadrada de livros e revistas, bem como os
adesivos utilizados nas laterais desses materiais.
Porém,
os adesivos PUR vêm ganhando cada vez mais
espaço dentro das gráficas. Dessa forma,
esse deve ser o tipo de adesivo que deve ter o maior
crescimento nas gráficas nos próximos
anos. Nesse sentido os adesivos PUR têm tido
muita atenção da Artecola”, avalia
Cardoso. Quando o assunto é resultado superior,
na opinião de Lajus, a tecnologia PUR é superior
em durabilidade e resistência.
Representatividade total
É complicado, especificamente no Brasil, mensurar exatamente quanto
e qual é o real tamanho do mercado de adesivos. Carecemos ainda de estudos
mais segmentados e números mais bem claros sobre algumas quantias. Em
mãos, números e dados de determinados setores poderiam rapidamente,
desde que levantados com imparcialidade, gerar lucro. Por outro lado é válido
o esforço dos profissionais na tentativa de trazer aos leitores um conhecimento
maior. “Considerando-se a fabricação de livros e revistas
apenas, pode-se dizer que o consumo de adesivos para lombada e lateral ultrapassa
mil toneladas ao ano”, contam Pincelli e Padovani.
Na
visão de
Duarte, as indústrias de
papel, embalagens e segmentos afins representam em
torno de 35% a 40% do mercado total de adesivos,
sendo a fatia mais representativa de um mercado avaliado
entre US$ 450 milhões e US$ 500 milhões.
Para Cardoso, é difícil mensurar o
volume consumido pela indústria gráfica
no Brasil, pois não existem entidades que
fazem esse tipo de levantamento. “Quanto à representatividade
dos adesivos para a indústria gráfica
no mercado total de adesivos, acreditamos ser de
10% a 15% do total de adesivos comercializados no
Brasil”, avalia.
Novidades
para 2007
Na busca do novo é que se descobrem
caminhos diferenciados. No campo da cola, a idéia
precisa ser buscada. “A Artecola, sempre
com foco em inovações, traz principalmente
ao mercado do Sudeste os adesivos PUR. Utilizando-se
da penetração
da recém-adquirida Addax, a empresa está pronta
para entregar a seus clientes adesivos com essa tecnologia.
A Addax não possuía em sua linha de
produtos adesivos com essa tecnologia. Dessa forma,
mesmo sendo um anseio de seus clientes não
era possível a entrega dessa tecnologia aos
clientes. Nesse sentido observa-se a sinergia e força
que o grupo Artecola ganhou com essa aquisição
no Sudeste do Brasil”, diz Cardoso.
Na
Quimicam os adesivos que mais evoluíram
foram os hot melts, seguidos dos PVAs. “Sem
dúvida os hot melts são os adesivos
mais empregados nas gráficas, principalmente
o PU reativo e a Quimicam vem desenvolvendo e pesquisando
alternativas para esses hot melts PU reativo. Os
PVAs também vêm num ritmo de desenvolvimento
acelerado. As novidades são os hot melts PU
reativo, que nem são tão novos, mas
que em termos de evolução são
os que mais têm contribuído para o crescimento
da indústria gráfica”, informa
o gerente de marketing da Amazonas Quimicam.
Lajus chama atenção para o fato de
que a questão preço, visada pela maioria
dos clientes, não é a única
variável que possibilita o posicionamento
do cliente no mercado, por isso a Henkel traz tecnologias
e serviços diferenciados. A National, por
sua vez, introduziu um adesivo PUR em baldes de 20
quilos ou barricas de dois quilos para colagem de
embalagens transparentes. Já o PUR-FECT 34-475
permite a colagem de diversos substratos como PET,
BOPP, PP e PVC, proporcionando um filme transparente
e sem bolhas. Reduzir custos não significa
redução dos preços dos adesivos
utilizados.
“A utilização de adesivos
com qualidade e desempenho diferenciados proporciona
redução nos custos globais do processo,
pois assegura a qualidade do produto final (desde
que devidamente aplicados), permite aumento de produtividade
(maiores velocidades de produção e
tempos de cura reduzidos para os PUR) e redução
das despesas de manutenção
dos coleiros – maior estabilidade térmica
minimiza a carbonização
nos equipamentos e reduz seu desgaste”, pontuam
Pincelli e Padovani.
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